21/06/2017

Educar com o coração


Cristina Tébar é a autora do livro «Montessori en casa – El cambio empieza en tu família», publicado em Portugal com o título «Educar com o coração – Pedagogia Montessori em Casa».

A autora do livro encontrou Montessori, após o nascimento do seu filho. À medida que foi lendo Montessori, apaixonou-se pelo método e começou a integrá-lo, como modelo educativo, no seu estilo de vida. É fácil de perceber porque me identifico totalmente com esta autora. Aconteceu-me a mesma coisa. A partir do momento que conheci o método, comecei a estudá-lo e a aplicá-lo em casa. E esta paixão pelo método é partilhada convosco através deste blogue.💜

O livro é de leitura simples e agradável e é indicado para quem deseja iniciar o método em casa e precisa de se organizar. Para os leitores com mais conhecimento, será uma leitura que vem confirmar e apoiar a certeza de que se trata de uma pedagogia de amor e de educação para a vida. 
Não é um livro com imagens e explicação técnica dos materiais, nem com exemplificação de atividades. São cento e cinquenta e sete páginas inspiradoras.

Vai ficar a perceber o que é Montessori, enquanto pedagogia e como filosofia de vida, ajudando-o a arrumar toda a informação (...).

O conteúdo está dividido em sete capítulos:
  1. Porquê o interesse em Montessori se não sou docente?
  2. Uma visão global de tudo o que abrange Montessori
  3. Existe Montessori fora da escola? E funciona?
  4. Quero aplicar Montessori em casa. Por onde começo?
  5. Dúvidas, hesitações e dificuldades na hora de adotar a filosofia Montessori?
  6. Crie o seu próprio plano de ação
  7. Ideias e inspiração para momentos difíceis
Gostei especialmente do capítulo cinco, porque responde a dúvidas que me colocam regularmente. Por exemplo, se Montessori funciona com todas as crianças.

Um dos temas que mais abordo nos meus textos é o Adulto Preparado. Cristina Tébar, também escreve sobre este tópico que é extremamente importante para quem deseja seguir o método.


O livro foi lançado pela editora verso de kapa. Em boa hora o fez!  
Se estiver interessada em comprar o livro (com desconto 😊), pode fazê-lo por aqui, pelo blog. Basta enviar-me uma mensagem pelo facebook ou através do email nutrichild@gmail.com

Acredito convictamente que Montessori pode existir fora da escola. Talvez não da mesma forma e com algumas dificuldades, mas, sem qualquer dúvida, faz muito sentido integrar a filosofia Montessori não só no nosso projeto educativo, mas também no nosso estilo de vida.

Eu também acredito. Não é de um dia para o outro e não é fácil. É uma escolha. É sobretudo uma transformação do adulto. 💙

09/06/2017

Pega-Monstros Pegajosos...


Diversão? Ciência? Descoberta? Sensorial? - vamos então fazer pega-monstros, altamente viscosos e pegajosos...

O que é necessário?
- Cola líquida transparente, 150ml;
- Um copo com 140ml de água fria;
- Um copo com 140ml de água morna;
- Uma colher de sopa de Borato de Sódio (compra-se na farmácia, 1€);
- Um pau para mexer;
- Uma tigela para a mistura;
- Corante alimentar.

Como fazer?
1 - No copo de água morna dissolver bem o borato de sódio.
2 - No copo de água fria, deitar a cola líquida e o corante alimentar. Mexer bem.
3 - Na tigela, juntar tudo. Mexer bem com o pau. Entretanto começa a formar-se o gel! E já está!

Para fazer pega-monstros de várias cores é necessário repetir o processo.

Esta atividade, tal como a plasticina caseira, é excelente para desenvolver a motricidade, a força da mão e do braço. Além de, todo o processo exigir a concentração e participação da criança!

Divirtam-se! ❤❤











02/06/2017

Preparar atividades inspiradas no Método Montessori



A Tânia Correia do blog 3m's tinha uma dúvida: "Ouvimos falar sobre este método, por vezes tentamos aplicar algumas actividades que vemos aqui ou acolá, no entanto poucos são os que conhecem verdadeiramente o que lhe está subjacente. Não me faz sentido aplicar algo só porque me dizem que é “giro e bom”, importa perceber quais são os seus princípios/linhas orientadoras...". Esta questão faz muito sentido, porque recebemos muita informação sobre atividades e ficamos confusas. Afinal, como nos podemos inspirar no método montessori para organizar atividades? Escrevi um texto para o blog 3m's, na tentativa de esclarecer esta questão. Partilho aqui também:


"The first aim of the prepared environment is, as far as it is possible, to render the growing child independent of the adult"  The Secret of Childhood, Maria Montessori


A educação Montessori está orientada para despertar o interesse e permitir à criança uma aprendizagem significativa. É um sistema baseado na escolha de algo em que a criança demonstra interesse. Este interesse natural conduz a uma motivação interior que desenvolve a atenção e a concentração.

A autonomia da criança é a chave para a sua escolha livre. Esta liberdade de escolher o seu próprio trabalho atende à necessidade e à vontade da criança.
Para quem está a iniciar os estudos ou a aplicação do método, pode sentir-se confuso sobre como organizar os materiais e as atividades. Quando planeamos e organizamos materiais (num ambiente preparado) ou atividades, devemos sempre pensar em algumas caraterísticas:

- Sentidos. Os sentidos são agentes de absorção de conceitos. A aprendizagem sensorial assume muita importância em todo o método.

- Ritmo. A criança tem o seu próprio ritmo. Respeitar. Nem sempre a criança consegue desenvolver a atividade a 100%, especialmente das primeiras vezes. Se não conseguiu ou não mostrou interesse, não tem importância.

- Mãos. O órgão que está ao serviço da mente é a mão.

- Erro. Em caso de erro o material deve dar essa resposta, deve ter controle de erro.

- Silêncio. A criança precisa de se focar no material e não nas nossas palavras. Devemos usar o menor número de palavras possíveis

- Organização. É habitual organizar os materiais em tabuleiros. Primeiro, para organizar tudo o que é necessário e dessa forma evitar movimentos e distrações em busca do que falta. Segundo, porque fica tudo preparado na estante de atividades, permanecendo disponível para a criança. Terceiro, fica tudo arrumado no final, no sítio indicado.

- Real. Dentro do possível oferecer à criança materiais e atividades com elementos reais ou naturais. O trabalho torna-se muito mais rico.

- Beleza. O Belo inspira o interesse. Objetos e atividades que encantem a criança tornam-se mais atrativos.

Na hora de preparar os materiais, estas regras básicas, são uma grande ajuda. É essencial observar muito bem. Com a observação conhecemos cada vez melhor a criança e dessa forma cresce a empatia pelas suas necessidades de desenvolvimento. Melhora também, o respeito pelo seu tempo, o respeito pela sua personalidade.

Para a criança não interessa o fim, mas sim o processo. Por isso o conceito de resultado final é muito alargado e vai mudando consoante a idade. Quando a criança trabalha de forma concentrada nas atividades, sente uma grande satisfação.  Este sentimento de conquista conduz a criança numa aprendizagem de descoberta. 

Talvez esta informação ajude na hora de escolher e preparar uma atividade. 
Espreita o blog 3m's, um cantinho cheio de amor!

15/05/2017

Plasticina Caseira


A receita é simples. A trabalheira é imensa. A diversão é garantida. Por várias horas! 

Os ingredientes são:
  • 1 ½   chávena de farinha
  •  ¼chávena de sal
  • 1 colher de sopa de cremor tártaro
  • ½  chávena de água
  • 1 colher de sopa de óleo
  • Corantes alimentares
  • Óleo essencial (opcional para aromatizar)
Seguir os seguintes passos

Passo 1 - Deitar a farinha numa taça. Adicionar o sal e o cremor tártaro. Misturar tudo muito bem.
Passo 2 - Noutra tigela, deitar a água e adicionar o óleo. E o óleo essencial se gostar. utilizei óleo essencial de lavanda.
Passo 3 - Dividi a água do passo 2,  pelos corantes. Neste caso, dividi em cinco taças, para os cinco corantes. Se achar necessário, pode acrescentar um pouco mais de água.
Passo 4 - Envolver a mistura da farinha nos corantes.
Passo 5 - Amassar bem até obter uma textura de plasticina. Para amassar precisa de deitar farinha na superfície onde vai amassar e nas mãos, para não colar.

As fotos ajudam a explicar visualmente o processo.

A plasticina caseira tem um prazo de validade curto. Se guardar num recipiente fechado, dentro do frigorífico dura ainda uns três dias (ou até mais). A cada vez que abre, tem de amassar um pouco, para ter de novo a textura macia.
O sal ajuda a preservar e o cremor tártaro adiciona elasticidade à plasticina. 
Há quem leve esta receita ao fogão e talvez com a ajuda do calor a massa fique ainda mais macia. Mas eu dispenso este passo! ;)








Esta atividade é perfeita para exercitar a força e os movimentos dos braços, pulsos e mãos. É também excelente para trabalhar a concentração e para exercitar a criatividade da criança. 
Os corantes e o cremor tártaro não são propriamente baratos, mas não se gastam todos de uma vez, dão para muitas sessões de plasticina caseira. 
Divirtam-se!

19/04/2017

Os Ritmos da Criança | Montessori



“ Se a criança intenta pentear-se, o adulto, em vez de se encher de admiração por esta maravilhosa tentativa, sente as suas prerrogativas assaltadas, e apenas nota que a criança não se penteia bem, nem depressa, e não conseguirá fazê-lo, enquanto o adulto pode executar isso muito melhor.”

Pausa, para respirar fundo.

É assim que acontece, não é?
Qual é a ação imediata? Tirar (ou arrancar) o pente das mãos da criança.

Pausa, para respirar fundo.
  
O Método Montessori é também conhecido pela expressão “Seguir o ritmo da criança”. É um princípio do método, respeitar os ritmos de cada criança. Parece simples, mas não é. Aliás, exige do adulto uma grande capacidade de auto-regulação. A citação com que iniciei este texto é um exemplo da nossa (in)capacidade de compreender o ritmo da pequena criança. É claro que, conseguimos pentear mais rápido. Há quantos anos andamos neste mundo? Esquecemos que, aquela pequena criança conhece o mundo há “poucos dias”.
O adulto irrita-se com a criança, por causa do seu ritmo, pelos movimentos lentos e desordenados, tão diferentes dos seus. O adulto sente sofrimento por esse ritmo e tenta fugir, substituindo o ritmo da criança pelo seu. Sim, aquele ritmo da criança provoca sofrimento no adulto. E por isso ele foge desse estado de espírito. Ao substituir a criança, passa a sentir-se melhor.

“ Em vez de prestar auxílio às suas necessidades psíquicas mais essenciais, o adulto substitui a criança em todos os atos que esta quer realizar por si, vedando-lhe todos os processos de atividade e constituindo-se no mais poderoso obstáculo contra o desenvolvimento da sua existência.”

O adulto torna-se no maior obstáculo da criança. Quem diria! Só quer ajudar!

“Quem poderia imaginar que esta inútil ajuda dada à criança é a raiz de todas as repressões e, por conseguinte, causa dos perigosíssimos danos que o adulto ocasiona à criança.”



O adulto, ao ver que a criança desenvolve muitos esforços para executar uma ação que acha ser capaz de realizar mais rápido e melhor, sente a tentação de a ajudar e de a interromper. Este é dos maiores danos no desenvolvimento da criança, causados pelo adulto. Esta é uma das grandes causas para manifestações negativas ao longo da vida da criança.

O ritmo do movimento é parte integrante da construção do indivíduo. O adulto, consegue suportar o ritmo acelerado da criança, porque é associado à vivacidade da criança, mas o ritmo lento tende a substituí-lo.

“ O adulto poderia realizar uma espécie de missão: a do inspirador das ações infantis; um livro aberto em que a criança poderia descobrir as diretrizes dos seus próprios movimentos e aprender tudo o que é necessário para os executar bem.”

Para seguir o ritmo da criança é necessário que o adulto seja paciente e calmo. A criança observa todos os seus movimentos. Seguir o ritmo da criança é respeitar os seus movimentos, sejam eles lentos ou rápidos. Interrompê-los, nas suas preciosas ações, é eliminar a sua oportunidade de aprendizagem.



Escrevi este texto para o blog Our Picturing Days, um espaço de partilha muito intimista. A autora do blog, a Vânia, tem muita curiosidade sobre o Método Montessori e trocamos algumas ideias sobre este tema. Talvez as dúvidas da Vânia, sejam também as dúvidas de outras mães e por isso, partilhar conhecimento sobre este método é para mim uma alegria muito grande. Obrigada Vânia pela oportunidade.


·        * Todas as citações foram retiradas do livro A Criança, de Maria Montessori

20/03/2017

O Embrião Espiritual e a abordagem de Montessori à Amamentação e ao Babywearing


Quando pensamos no Método Montessori, associamos normalmente as imagens dos materiais, e em larga escala a imagem do quarto montessoriano. Mas o método é muito mais do que isso. Neste texto vou abordar três tópicos, pouco falados, sobre Montessori: o Embrião Espiritual, a Amamentação e o Babywearing. A ótica de Maria Montessori sobre estes temas é maravilhosa (tal como todo o método!) e reflete profundamente a busca de uma educação consciente e que respeite as necessidades das crianças.


 “E quem, como nós, se ocupa no sentido de ajudar a vida na educação da criança, não pode deixar de considerar a mesma como um ser vivo, durante o período do crescimento, e deixar de pensar, ou de procurar interpretar, qual é o seu lugar na biologia, isto é, no campo total da vida.”
Mente Absorvente, Maria Montessori
 A análise da origem biológica da criança é uma matéria estudada e abordada por Maria Montessori e é essencial para compreender o valor da vida da criança.
No livro Mente Absorvente, ao longo de três capítulos, Montessori explica a relação entre o Milagre da Criação, a Embriologia e o Embrião Espiritual. Constata que a humanidade conta com dois períodos embrionários: o pré-natal e pós-natal. Sendo que, o período pós-natal é uma fase de vida embriológica construtiva que torna a criança num Embrião Espiritual.
O recém-nascido inicia um trabalho formativo. Devido a este trabalho do ser espiritual, os primeiros cuidados ao recém-nascido, segundo Montessori, deveriam ser concentrados na sua vida psíquica e não apenas à vida física como é o mais habitual.

“Dá-se uma troca entre o indivíduo, ou, melhor, entre o embrião espiritual e o ambiente; por meio dela se forma e se aperfeiçoa o indivíduo. Esta atividade primordial, é análoga às funções da vesícula que, no embrião físico, representa o coração, a qual assegura a troca e a nutrição de todas as partes do corpo do embrião, enquanto se alimenta pelos vasos sanguíneos da mãe, o seu ambiente vital.”
A Criança, Maria Montessori
  
A criança que constitui o Embrião Espiritual, necessita de um ambiente de amor, de acolhimento e tem uma necessidade física, de um ambiente especial – o seio materno.
E sobre a Amamentação, no livro Mente Absorvente, encontramos estas duas frases maravilhosas:

“Observa-se também, em muitos povos, o costume de prolongar o aleitamento: em alguns países por um ano, em alguns outros por um ano e meio, ou até dois, e até mesmo três. Ora, não se trata de uma exigência da criança, pois ela já atingiu, de há muito, a possibilidade de se nutrir com outros alimentos, mas o aleitamento prolongado é razão para a mãe não se separar do filho e também é uma necessidade subconsciente da mãe de dar ao seu filho o auxílio de um completo ambiente social que lhe determine o desenvolvimento.“
“Assim sendo, a nutrição da criança e o amor que unem as duas criaturas solucionam o problema da adaptação ao ambiente de um modo natural. Mãe e filho nada mais são, portanto, do que uma só pessoa.”

Aceitamos esta sabedoria e permanecemos sempre na esperança que o mundo compreenda a importância da amamentação. Talvez, fosse imediato imaginar que o método não referisse este momento tão inicial da vida das crianças. Mas, na verdade, o Embrião Espiritual que se está a formar precisa de um ambiente próximo à mãe. A adaptação da criança ao mundo será mas simples se o ambiente lhe favorecer essa ação.
Montessori, vai mais longe ainda, sobre os cuidados na infância. Babywearing, será a palavra mais atual para descrever o que quer dizer com “…o modo diferente, por exemplo, que se usa para carregar a criança.”
Montessori, no seu livro a Criança, oferece-nos ainda a leitura sobre a maravilha que representa, carregar o filho. Hoje, existem várias formas ergonómicas de carregar a criança. Ter a possibilidade de carregar consigo é uma experiência única. A criança tem a oportunidade de estar sempre em contato direto com mãe. Mas, para além disse tem a oportunidade de ver o mundo.

“Os vários grupos humanos, raças e nações, apresentam- nas outras características; o modo diferente, por exemplo, que se usa para carregar a criança. Trata-se de uma particularidade entre as mais interessantes, ressaltada pelos estudos etnológicos. Geralmente as mães colocam a criança num bercinho ou num saco, mas não a levam ao colo. Em alguns países as crianças são amarradas com laços a um pedaço de madeira que, depois, é colocado sobre os ombros da mãe quando está se dirige ao trabalho. Algumas prendem a criança ao peito, outras às costas e outras ainda as colocam em cestas, porém em cada povo a mãe encontrou o modo para levar com ela o filho.”




“Em muitos países vemos que as crianças não são tratadas tão em contraste com as exigências da natureza como acontece com os ocidentais. Na maior parte dos países a criança acompanha a mãe aonde quer que esta vá, e mãe e filho são como um único corpo. Ao longo do caminho a mãe fala e a criança escuta. A mãe discute com um fornecedor a respeito de preços e a criança está presente, escuta e vê qualquer coisa que a mãe faça. (...) Na verdade, quando uma mãe discute no mercado o preço da fruta percebe-se que os olhos da criança se iluminam devido à intensidade do interesse que a palavra e os gestos provocam nela.”

O mundo é tão rico em imagens, em sons, em texturas que a criança só pode beneficiar dessa variedade de estímulos reais. Essa relação direta potencia o seu desenvolvimento sensorial. E Montessori é isso, é a educação para os sentidos.

“Observa-se também que o pequenino, levado com a mãe, nunca chora a menos que esteja doente ou machucado, adormece algumas vezes, mas não conhece o pranto. Observou-se nas fotografias, tiradas com o objetivo de documentar os hábitos sociais de um país, que em nenhuma delas a criança, que é fotografada ao lado da mãe, está chorando. Entretanto pode-se dizer que o choro das crianças é um problema dos países ocidentais. É muito comum entre nós o lamento dos pais porque o filho chora e o interesse deles em saber como poderão acalmá-lo e fazê-lo parar de chorar.”

Será que o choro das crianças é um problema do mundo ocidental? Será que estas crianças se irritam com mais facilidade? Será que a maior parte das vezes vivem afastadas das suas famílias, da sua mãe e isso as deixa tão angustiadas, que o choro é uma forma de expressão dessa dor?

“Hoje, as respostas de alguns psicólogos é esta: a criança chora e fica agitada, tem crises de choro, de mau humor porque sofre de inércia mental. E estão com razão; ela é mentalmente uma subnutrida, mantida prisioneira num campo limitado e cheio de obstáculos ao exercício de suas faculdades.”

Talvez esta seja a resposta. As crianças são limitadas na sua aprendizagem, porque são afastadas do mundo real, da natureza. Isso constitui um obstáculo ao seu desenvolvimento natural, gerando na criança emoções negativas.
Claramente uma incrível observadora do comportamento humano, Maria Montessori, fez o registo destas observações e partilhou-as com o mundo através da sua obra.
Conhecer o método Montessori, passa também por conhecer esta fase de desenvolvimento, pelo princípio da vida.
O método é um valioso “instrumento” no auxílio à vida, para que esta se desenvolva. Cada criança indica as suas necessidades através de manifestações espontâneas. E se a criança for ajudada segundo as finalidades humanas, terá certamente mais possibilidades de desenvolver as suas potencialidades.

“Se nada auxilia a criança, se o ambiente não foi preparado para a receber, será um ser em contínuo perigo, sob ponto de vista da sua vida psíquica. Está exposta a encontros obstrutores, a lutas pela existência psíquica, inconscientes, mas todavia reais, de consequências fatais para a construção definitiva do indivíduo.”

Olhar para o recém-nascido, para a criança como um ser espiritual, com vida psíquica, ajuda-nos a ser um melhor adulto. Com essa visão vamos tentar preparar um ambiente acolhedor, facilitador do desenvolvimento natural. Montessori não é apenas materiais, que por sua vez, são geniais! Montessori é sobre Vida. É também um método inspirador sobre como podemos ser iluminados no difícil caminho da parentalidade.

Tive muito gosto em escrever este texto para o lindo blog OVO. O blog da Marta é um espaço com muita informação útil sobre os temas da maternidade. Um dos meus textos preferidos do blog é sobre o sistema imunitário das crianças. Espreita o blog, que vale mesmo a pena!

02/03/2017

Função Executiva | Aprendizagem | Comportamento | MONTESSORI


"As crianças determinam as suas ações com base nas leis da natureza, os adultos calcados na reflexão. Para a criança cultivar este poder é necessário que não tenha sempre por perto alguém que lhe diga o que deve fazer em cada instante da sua vida, porque esta determinação provém da possibilidade de ação das forças internas. Se alguém usurpa o trabalho do guia interior, a criança não pode desenvolver nem a determinação nem a concentração." Maria Montessori, Mente Absorvente
O que é a Função Executiva
Foi a pergunta que fiz, quando li o título do capítulo sobre este tema, no livro Montessori, The Science Behind The Genius. Daí iniciei uma pesquisa mais cuidada. Conforme fui lendo sobre o assunto, ficava ainda mais confiante sobre a potencialidade deste método. 

Pensamos, quase sempre, que o conhecimento é a garantia ou a resposta para o sucesso.  Já escrevi sobre isso no texto As pequenas coisas que nos ligam. Qual será o conhecimento necessário, daqui a dez anos, para ser bem sucedido? Alguém saberá a resposta? Então, é o conhecimento que nos vai garantir o caminho do sucesso? Nesse texto, referi que, as crianças mais do que conhecimento e informação, vão necessitar de pensamento criativo, de envolvimento e de vontade.
Pois, será que entra aqui a Função Executiva?

A Função Executiva, contempla várias habilidades cognitivas:
  • controle inibitório (controle de um pensamento ou comportamento)
  • memória de trabalho
  • flexibilidade mental 
  • concentração
Portanto, o termo função executiva,  compreende um conjunto de habilidades cognitivas que  são necessárias para realizar determinados objetivos, por meio de ações, decisões e comportamentos adequados.

Em Montessori, através do ambiente preparado para responder às necessidades das crianças, nos seus diferentes estádios de desenvolvimento, a auto-regulação surge de forma extraordinária. O auto-controle da criança vem de dentro dela. Não é imposto pelo adulto, por ordens externas ou por demais regras.

O auto-controle e a auto-regulação da criança, moderam o seu comportamento. Este equilíbrio  no comportamento liberta a criança, favorecendo a sua função executiva. 

Acho que os dois vídeos que partilho a seguir, ajudam a compreender melhor o conceito de Função Executiva. 






O processo de descoberta é o coração da aprendizagem. E a alegria que provém da aprendizagem significativa é incrivelmente bela. Como aprende o cérebro? Como acontecem as neuroconexões? Não é por memorização de conteúdos, mas sim em contextualização. Não há mistério nisto. 

Compreendemos assim que a Função Executiva tem muita importância na vida criança.
Quanto melhor é a função executiva da criança melhor é o seu desempenho. Lógico. 

Como podemos potenciar a Função Executiva das crianças? 
Criando um ambiente preparado, com adultos que as escutam. 

Um sistema de pressa e de pressão, de castigos e de recompensas, prejudica o desenvolvimento saudável da criança. E assim, toda a sua capacidade de concentração, de controlo inibitório, de memória de trabalho e de flexibilidade mental ficam longe do seu potencial.

"A criança faz as suas aquisições durante os períodos sensíveis, os quais se podem comparar a faróis acessos, iluminando interiormente, ou a um estado elétrico que dá lugar a fenómenos ativos. Esta sensibilidade é que permite à criança pôr-se em contato com o ambiente, de forma intensa. E então tudo é fácil, tudo é entusiasmo, vitalidade. Todo o esforço representa acréscimo de poder." Maria Montessori, A Criança

A Função Executiva é um conceito algo complexo, tal como cada cérebro! Mas, talvez, estudando mais este assunto, conseguíssemos ajudar mais as crianças, ou melhor, os adultos. Podíamos compreender melhor o ritmo de cada criança, respeitando as suas necessidades e os seus interesses. Talvez assim, todas as crianças desenvolvessem o amor por aprender.





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