10/02/2017

Matemática Montessori | Barrinhas de Contas



Pequenas contas coloridas, ligadas entre si por um arame.  Para a criança é uma alegria contar, com este material tão atrativo . A criança, inicia com a contagem das contas, uma a uma. Por fim, acaba por reconhecer o número de contas não pela contagem das unidades, mas já pela sua cor: dourado, 10; castanho, 6...







E depois vamos acrescentar mais barras de contas e aprofundar o sistema decimal. 💙

O trabalho íntimo da criança transpira uma espécie de sensibilidade, revelando-se tão sómente quando o adulto não intervém com a sua supervisão e conselhos. Deixemos a criança livre na aplicação das suas habilidades; ela se revelará sensível às conquistas superiores que se hão de seguir. Maria Montessori, Pedagogia Científica




Matemática Montessori | DIY Barras Numéricas


... este método, em que intervém, a todo o instante, o gesto da mão que desloca objetos, fazendo-se, assim, incessantemente, um exercício de educação sensorial... Maria Montessori, Pedagogia Científica

As barras numéricas são uma série de dez barras vermelhas e azuis. É o primeiro material a ser usado para a numeração. A barra mais curta tem 10cm, a mais longa tem 1m de comprimento. Cada segmento de 10cm é colorido, alternadamente, em vermelho e azul.

A vantagem deste material é a apresentação - podem-se apresentar, de forma visualmente distinta, as unidades que compõem cada um dos números que representam. Por exemplo, a barra do 3, corresponde ao número 3 e as 3 unidades distinguem-se através das cores. Desta forma, ultrapassa-se a dificuldade das crianças em compreender a numeração. No início da aprendizagem, muitas crianças contam, falando decorado a sequência natural dos números, mas ficam confusas com as quantidades que lhes correspondem. O espírito concreto da criança exige um apoio preciso e claro.



As barras crescem, gradativamente, em comprimento, de unidade em unidade. Facilitam a ideia relativa do número e das proporções e abrem o caminho para a aprendizagem da aritmética.
Colocando a barra do 1 ao lado da barra de 2, obtém-se um comprimento igual à barra do 3.


E que é esta combinação de quantidades senão a finalidade das operações matemáticas? É ao mesmo tempo um jogo agradável, que consiste em deslocar objetos. E o progresso avança até os limites extremos que a idade infantil permite. Maria Montessori, Pedagogia Científica

Com este material, de forma direta a criança começa a definir a contagem de 1 a 10 e a estabelecer a associação dos números e quantidades.  De forma indireta desenvolve o raciocínio matemático e prepara para o cálculo mental.

Este material é possível de ser um diy! ;)


Precisamos de:
- 2 barrotes de madeira 12mm*18mm, com 240cm de comprimento;
- 1 barrote de madeira 12mm*18mm, com 90cm de comprimento;
Nota: Estas medidas eram as disponíveis na loja. A medida total que é necessário é 550cm;
- tinta vermelha e tinta azul. Apliquei as guaches que já tinha em casa, mas pode ser usada tinta em spray;
- pincéis;
- fita de pintura. Usei fita com 5cm de largura, mas com 10cm torna o processo mais fácil.

Procedimento:
- fazer o corte das 10 barras, desde os 10cm até aos 100cm.
- colocar a fita de pintura. Comecei por pintar em vermelho, por isso coloquei primeiro a fita nos elementos que iriam ser pintados posteriormente em azul.
- passar os pincéis para as mãos dos miúdos e deixá-los pintar!💚 
- quando os elementos vermelhos já estiverem bem secos, é altura de retirar as fitas e repetir o processo para pintar em azul.

E já está!

Com as barras numéricas podem ser feitos vários exercícios, começando até pela brincadeira de medir a altura da criança. Evoluindo  para a contagem, para diferentes somas e por aí adiante.

31/01/2017

Sobre a obediência das crianças


18/01/2017

Leitura e Escrita - Montessori


Tocar as letras no sentido da escrita, é começar a educação muscular que prepara a escrita. 
A criança que olha, reconhece e toca as letras no sentido da escrita, prepara-se simultâneamente para a leitura e para a escrita.
Tocar as letras e olhá-las ao mesmo tempo, é fixar rápidamente a imaginação, graças ao uso de vários sentidos. Os dois exercícios separam-se de seguida: olhar (leitura); tocar (escrita).  
Esta descrição, sobre o método de leitura e escrita espontânea foi partilhada por Montessori, no seu livro Pedagogia Científica. 
Para mim, a mais poética descrição que já li, sobre o método de leitura e escrita de Montessori.
A análise foi feita por um mestre do ensino elementar, Prof. Ferreri, que aplicou o método e escreveu sobre essa experiência.

A leitura e escrita são atividades complexas. Basta relembrar a nossa própria aprendizagem,  que certamente recordamos o esforço que fizemos. Por vezes correu bem, mas muitas vezes era razão de insucesso escolar. Infelizmente, ainda hoje, assistimos a um processo de alfabetização forçado, conduzindo a dificuldades de leitura, de escrita e de compreensão.

Como posso ajudar a criança? Como posso ser a facilitadora do processo de aprendizagem?
Quando comecei a estudar o método montessori, percebi que a forma como era abordada a aprendizagem da leitura e da escrita era diferente. Há uma lógica sensível de continuidade e sobretudo de respeito pela criança.

Esta aprendizagem não começa de um dia para o outro. Existe uma preparação indireta desde o nascimento da criança, onde inicia o período sensível da linguagem, que se estende até aos 6 anos. A evolução é contínua. Tudo o que rodeia a criança é elemento de desenvolvimento da linguagem. 
A um determinado momento, e dependendo da criança e do seu ambiente, surge um interesse natural pela escrita, pelas letras e pela descoberta das palavras e da magia da leitura. O adulto só tem de estar atento. Este "só" ... não é fácil! Aqui reside a essência do adulto preparado, que consegue observar a criança e seguir os seus interesses.  
Qualquer ajuda desnecessária é um obstáculo ao desenvolvimento. Por exemplo: a criança quer desenhar, mas o adulto diz-lhe para desenhar um balão. E de forma entusiasmada o adulto ajuda a criança a desenhar o balão e até lhe dá instruções. Coloca a sua mão, sobre a pequenina mão da criança, que apenas queria desenhar o que a sua imaginação lhe dizia! E desta forma, entre outras, vamos apagando o genuíno interesse da criança. E ainda reforçamos a ideia, de que quando for para a escola, aos seis anos, é que vai aprender a ler e a escrever. O adulto não se apercebe das inúmeras oportunidades de ajudar a criança neste processo. E o que poderia ser feito sem esforço acrescido, é desperdiçado. E este esforço não natural  da criança leva ao seu desânimo, à sua desmotivação.  A aprendizagem faz-se por obrigação. Daqui podemos tirar muitas conclusões sobre o atual estado da aprendizagem das crianças, que tem sido divulgado em estudos, em livros, por especialistas de neurociências e educação infantil.

Os materiais montessori são extraordinários e estão interligados nos seus propósitos. Os cilindros de botão são preciosos para o movimento de junção dos dedos, que se revela mais tarde, essencial para pegar de forma correta no lápis.  Antes da escrita, é necessário trabalhar este movimento e fortalecer os músculos da mão e do pulso. Este trabalho é que vai auxiliar no desenvolvimento do traço e mais tarde da escrita. 
O desenvolvimento da habilidade da mão, acompanha o desenvolvimento da inteligência.

A minha experiência demonstrou-me que se, devido a condições particulares do meio-ambiente, a criança não puder utilizar a mão, o seu caráter permanece num nível inferior; enquanto que a criança que pode trabalhar com as próprias mãos revela um desenvolvimento acentuado e tem força de caráter. Mente Absorvente, Maria Montessori
Segurar e posicionar com segurança um lápis, é um mecanismo muscular intenso e especial, independente da escrita. Mas, ao mesmo tempo este mecanismo é essencial para os movimentos necessários para traças as letras do alfabeto.

Os Encaixes Metálicos, com 10 figuras geométricas são um instrumento para trabalhar o mecanismo muscular da mão e do movimento dos dedos. Um dos primeiros exercícios consiste em contornar com o dedo indicador a figura geométrica. Podemos acrescentar algum mistério ao exercício, ao fazê-lo de olhos fechados.  Num outro momento, a criança desenha com lápis de cor, sobre o papel,  o contorno da figura geométrica. De seguida pode preencher o espaço em branco com linhas. Com o tempo, estas deixam de ser confusas e de traço irregular e vão de bordo a bordo da figura. Quando já faz isto com mestria, é a prova que domina o lápis. Há uma variedade de exercícios que se podem realizar, do mais simples ao mais complexo. Mas todos estes momentos tem um ritmo, o ritmo da cada criança. 


Que lindo! ;)

Mas antes, de iniciarmos o traço das figuras, preparei os cartões de classificação. Este exercício de correspondência da imagem ao objeto e mais tarde (quando sabe ler) à legenda, é  dos que mais gosto de fazer. É uma forma de aquisição de vocabulário muito sensível e verifico que a miúda regista muito bem o vocabulário.




Nos exercícios do mecanismo motor, é necessário desenvolver o movimento contínuo da mão. Utilizam-se as Letras de Lixa, que servem para traçar os sinais gráficos. A criança toca as letras no sentido da escrita. O sinal do alfabeto fixa-se assim duplamente na memória, graças à vista e ao tato.



Neste conjunto de materiais, a criança tem a oportunidade de aprender através da visão e de sensações ao nível do tato. O desenvolvimento motor da escrita, através do traço e do desenho e a sensação tátil, das letras de lixa,  ficam registados na sua memória. E de forma criativa e sem manuais escolares, potenciamos a aprendizagem da escrita e da leitura.
Em nossa casa, não seguimos nenhuma ordem alfabética. Segue-se o interesse da miúda pela letra que escolher. Começamos pelas letras minúsculas de escrita manual cursiva. Para Montessori, este tipo de letra é mais fluída e constante para o movimento de mãos.

Ao mesmo tempo que vamos trabalhando as letras de lixa, são apresentados os sons das letras. 
Há algum tempo a Ana do blogue Fita de Viés, que escreve sobre ensino doméstico (e outros temas interessantes), falou-me no livro o Parque dos Fonemas - Sistema Fonomímico da Dra. Paula Teles. Eu andava à procura de material em português para trabalhar a parte fonética das letras e a Ana comentou que tinha uma boa experiência com este material.  Decidi usá-lo como material didático de complemento ao material montessori que descrevi em cima. E achei curioso ter também uma metodologia multissensorial
A partir do manual, criei os cartões de classificação (dei um toque montessori!).  Através do cd-áudio ouvimos a cantilena do abecedário, fazemos a correspondência do cartão e junto da grafia da letra. Esta grafia no livro, também está em relevo para a criança passar com os dedos seguindo as indicações das setas.




Antes ou a par, podemos trabalhar os traços/grafismos que habitualmente se utilizam no pré-escolar e no primeiro ciclo. 
Como os manuais são menos confortáveis para as crianças pequenas, e como sabemos que a autonomia é um valor imprescindível em Montessori, retirei as folhas de exercícios de grafismo de um manual que me tinham oferecido. Plastifiquei e junto coloquei canetas próprias de escrita em folhas laminadas, que tem uma pequena esponja para apagar a tinta. Em qualquer momento o material está pronto a ser utilizado.



Encontrei, aliás,  a miúda encontrou, no supermercado uns cadernos de grafismos. Gostei, porque as imagens não muito infantis, o caderno é fácil de abrir porque tem argolas, as folhas  são bastantes resistentes e ainda traz uma caneta presa com elástico. Portanto, mais uma vez, é um material que permite total autonomia. 




Apresento uma outra sugestão:  Cortei um tipo de grafismo,  num papel adesivo que imita o quadro de giz. Colei numa folha plástica. Preparei um tabuleiro com todo o material necessário: giz, esponja e água. 
Este também é um bom exercício. Exige o movimento de apertar a esponja para retirar o excesso de água. Exige cuidado não verter água, etc.


Falta referir outro material montessori - o alfabeto móvel. Será abordado num futuro próximo!

A nossa experiência não nos leva a diminuir a importância do ambiente, na construção do espírito. É sabido que a nossa Pedagogia lhe confere tão grande importância que o faz fulcro central de toda a construção pedagógica. Convém observar que as sensações são por nós consideradas de uma maneira tão sistemática e fundamental como se não faz em qualquer outro método de educaçao. Existe, contudo, uma diferença essencial entre o velho conceito da criança passiva e a realidade: é a existência da sensibilidade interior da criança. Há um período sensível muito prolongado, que dura quase até à idade de cinco anos e torna a criança capaz de se apropriar das imagens do ambiente, de uma maneira extraordináriamente prodigiosa. A criança é um observador que regista ativamente as imagens, por intermédio dos sentidos, o que é diferente recebê-las como se fosse um espelho. A criança, Maria Montessori 

07/12/2016

Montessori, O Natal, A Fantasia e o Espírito de Natal


Tema difícil. As questões:
Devemos fazer as crianças acreditar no Pai-Natal, para sentirem o espírito do Natal?
Como podemos pensar de que não saber sobre o Pai Natal, é algo mau ou triste?
Que mensagem transmitimos quando dizemos que os monstros não existem, mas que o Pai Natal existe e desce pela chaminé?
Se as crianças souberem que os presentes vêm da família e dos amigos e não do Pai Natal, torna a noite de Natal menos especial?
Se eu tenho uma relação de confiança com a minha criança, baseada na verdade, porque devo alimentar o mito do Pai Natal?
Se eu quero ensinar a minha criança que a vida custa a ganhar, como lhe explico a quantidade de embrulhos que coloco debaixo da árvore de Natal?

Felizmente, os meus pais nunca me iludiram com a história do Pai Natal. Não escondiam de onde vinham os presentes. E hoje, estou muito grata por isso. Mas também sinto alguma tristeza. Tristeza, por saber que, mesmo com dificuldades económicas ainda me davam presentes. Queridos Pais, não era necessário. Hoje, mais do que nunca percebo o vosso esforço. Na altura, certamente teria ficado contente com as prendas, eu sei. Mas sabendo, que isso exigiu o vosso sacrifício… dói bastante.
Nunca esquecerei que não alimentaram o Natal com base em histórias, mas sim em partilha numa simples mesa de cozinha, recheada de comida saborosa.
E para mim Natal é isso, a simplicidade da reunião.
E os presentes? Dispenso. (embora as meias/roupa interior faça sempre jeito ;))
E os presentes para a minha criança? São suficientes os presentes dos avós, dos tios, dos padrinhos e dos amigos, dos vizinhos, das festas de natais locais…
E se ela quer algo específico, que nenhuma destas pessoas ofereceu? Sim, podemos ponderar,  vamos ver quanto custa, se podemos comprar e vamos juntas procurar essa coisa especial.

Será que temos de viver este mito, esta fantasia do Pai Natal, para dar alegria à criança? Ou para ela entrar no campo da imaginação ou criar fantasias?
Como podemos tornar o Natal uma época especial para as crianças, sem esta fantasia? É sempre uma decisão difícil para os pais, pois esta bastante enraizada na nossa cultura. E é difícil de evitar, porque desde a família à escola, quase tudo gira em volta da carta ao Pai Natal.

Sem querer impor ou idealizar, trago aqui uma outra prespectiva – o conceito de imaginação e fantasia abordado por Maria Montessori. 
No seu livro Spontaneous Activity in Education, Montessori escreve:


A tradução da palavra Credulity é credulidade, que significa:
- Qualidade da pessoa que é crédula e ingênua, que acredita facilmente naquilo que ouve.
- Crença nos sentidos da fé religiosa, nas divindades ou nas coisas sobrenaturais.

A imaginação tem imensa importância na vida da criança. Mas trata-se da sua própria imaginação, da sua própria fantasia. Daquela que ela própria constrói e não daquela que lhe é transmitida pelos adultos ou imposta pela sociedade. Quando lhe contamos a história do Pai Natal de barbas brancas, estamos a contar um mito a uma criança com base na sua credulidade. Ou seja, com base na sua ingenuidade e na sua capacidade de acreditar totalmente no adulto que ama.

Acho que esta análise de Montessori, mostra a todos que pensam que contar a fantasia às crianças potencia a sua imaginação. Estas histórias são produtos da imaginação dos adultos. E nós adultos, sabemos bem que são fantasias criadas com objetivos comerciais. Estas histórias não ensinam a criança a imaginar, ficam sim a conhecer histórias inventadas pela cabeça de outros.

Isto faz sentido para mim e para a minha família.

De qualquer forma, temos bonecos de Pai Natal em casa. A miúda brinca com esses bonecos e cria as suas fantasias. Escreve a carta ao Pai Natal e faz desenhos alusivos a essa figura. Isto não é fomentado em casa, mas é no mundo externo, onde ela habita e convive. E está tudo bem! 
É inevitável. Mas a forma como abordamos esta questão em família é que pode ser diferente. Se quisermos.
Se lhe perguntarmos quem é o Pai Natal, ela associa que é um boneco, do género dos bonecos dos desenhos animados e está na categoria da Elsa Frozen ou da Patrulha Pata! 
Não deixamos de cumprimentar os milhentos Pais Natal que nos aparecem na rua e nas lojas. Cumprimentamos, rimos e perguntamos se correu bem a tal viagem e se está muito cansado! 

Esta época do ano é muito rica em tradições pelo mundo fora. E há imensa coisa para além do Pai Natal, que podemos transmitir à criança e tornar esta altura muito especial.
Podemos falar sobre o São Nicolau e a sua bondade. É uma linda mensagem para as crianças e levá-las a criar a sua própria mensagem interior. 
Temos toda a preparação do Advento ao longo do mês de Dezembro, que pode ser muito criativa. A criação da coroa do advento com velas, pequenos ramos, paus, folhas, pinhas...
Podemos desenvolver várias atividades em volta deste tema, muito inspiradoras. Aqui tens algumas ideias que partilhei no Natal do ano passado.


Viver o Natal de forma tranquila, sem pressão de estímulos externos -  “se te portares bem , o Pai Natal traz-te uma prenda” Será por isto que ele existe? 
Brincar com as crianças, construir uma casinha de luz com elementos naturais que recolheram numa caminhada, será certamente viver a magia, a criatividade, a imaginação e a fantasia. E sobretudo sem aquela espécie de mentirinha que supostamente não faz mal a ninguém. Mas que infelizmente, muitas crianças, quando a descobrem, o seu coração fica totalmente partido. Será que vale a pena?



O nascimento de Jesus é o símbolo da esperança na humanidade. Esta é também a mensagem de Maria Montessori sobre a criança: ela é a luz para a salvação da humanidade e para a construção da paz no mundo.

Montessori, no livro A Criança, menciona que a energia desconhecida que pode ajudar a Humanidade é aquela que reside na criança, e que a devemos considerar como farol da nossa vida futura, pois ela contém o segredo da nossa natureza e se converte em nosso mestre.


As crianças são seres altamente inspirados e se lhes damos o poder de serem as nossas estrelas de esperança, todos iremos descobrir o verdadeiro espírito de Natal.


17/11/2016

Atividade para crianças - Metamorfose da Borboleta


Será que a borboleta lembra que já foi lagarta?
Será que a lagarta sabe que um dia vai voar?

Vê o vídeo e canta a música:


Metamorfose significa mudança.  É a transformação de um ser em outro.

Como explicar esse fenómeno às crianças? Montessori ajuda-nos! ;) 

Podes ler como funcionam os cartões de 3 partes para aprendizagem de vocabulário, nos textos Ciclo de Vida do Sapo e Cartões Nomenclatura Montessori.

Fizemos juntas os cartões, cortamos, plastificamos... a miúda gosta de participar no processo de criação. Depois de prontos, ela própria pegou nos cartões e no conjunto de peças do ciclo da borboleta e preparou o tabuleiro... Como faz sentido montessori nas nossas vidas!

Expliquei-lhe a metamorfose da borboleta. Como uma lagarta se transforma em borboleta? É magia, diz ela!






Os objetos, os livros e os vídeos consolidam a aprendizagem. Hoje, aprender é fabuloso! Temos muitos recursos. Porque não incluir as novas tecnologias na aprendizagem?
Exploramos ainda estes vídeos no youtube:

Metamorfose de uma borboleta


Como nascem as borboletas


Monarch Butterfly Metamorphosis time-lapse 


Metamorfose da Borboleta - animação


Palavra Cantada - A lagarta e a borboleta

Depois desta aprendizagem, sorte mesmo, era encontrar um casulo verdadeiro e poder observar de perto a metamorfose.
A magia da natureza e da vida!

Celebrar a Vida - Montessori


Dia de Aniversário. Celebramos a vida. 
Gostamos de celebrações simples, momentos tranquilos.

Em Montessori, o ritual de celebração da vida é muito especial. É um momento de auto-conhecimento, facilitado através de uma abordagem cósmica. É explicada à criança a relação da Terra com o Sol, do seu movimento em torno do Sol.  A criança vai compreendendo que a cada aniversário, a Terra deu mais uma volta completa à volta do Sol e que passou mais um ano. 
Ano após ano, conta-se a história de vida da criança, desde o seu nascimento até ao dia da celebração de mais um aniversário. Contam-se pormenores sobre o seu crescimento, mostram-se fotos e podem-se também partilhar objetos que tenham algum significado especial. Com este espaço de reflexão, a criança vai tomando consciência da sua evolução e do seu lugar na Terra.


Let us give the child a vision of the whole universe… If the idea of the universe be presented to the child in the right way, it will do more for him than just arouse his interest, for it will create in him admiration and wonder… The knowledge he then acquires is then organized and systematic; his intelligence becomes whole and complete because of the vision of the whole that has been presented to him… No matter what we touch, an atom, or a cell, we cannot explain it without knowledge of the wide universe. To Educate the Human Potential, Montessori

A comemoração do aniversário desta forma especial,  é uma  pequena introdução à educação cósmica e ao ensinamento sobre a ligação da criança com o Universo.
A criança segura na sua mão um globo, que representa a Terra e que dá a volta  ao Sol, representado por uma vela amarela. Esta celebração simbólica vai acrescentando informação na linha de vida da criança e esta vai assimilando as relações de interdependência.
É um momento lindo e a cada ano que passa, torna-se mais intenso.  

Começamos por preparar o Sol. Na cartolina amarela desenhamos e cortamos um círculo. Cortamos também pequenas tiras que representam os raios solares e onde escrevemos os meses dos anos.
No meio do círculo colocamos a vela, a simbolizar a luz do Sol. Em volta estão os raios solares, a representar os doze meses do ano. 
Junto do mês de aniversário, coloca-se o data de nascimento. 




Acendemos a vela e depois a criança,  por cada ano,  dá uma volta ao Sol, com a globo na mão. Explicamos de forma serena o  movimento.  Narramos a sua história de vida e apreciamos... Desfrutamos do momento com calma e com presença.

O conteúdo e a forma como narramos a sua história de vida, fica ao critério de cada família. Mais ou menos elaborada, mais ou menos engraçada, o importante é a criança e a família absorverem a intensidade do momento. A vida é um milagre.

É importante referirem de início o número de voltas que a criança vai dar e convém dar ênfase ao pormenor da passagem do ano, quando completaram uma volta. Desta forma a criança compreende melhor a razão do percurso em volta do Sol:  " ...vai dar quatro voltas ao Sol, porque faz quatro anos! Nasceste pequenina, pequenina ... e depois de uma volta ao Sol completaste um ano de vida... e já comias a sopa toda... já corriamos atrás de ti..., olha que foto mais linda, quando estavas a brincar na água... depois a terra deu mais uma volta ao sol e fizeste dois anos...." (e assim por diante)

Ao dar a volta ao Sol, podemos "cantarolar" algo como: A Terra deu a volta ao Sol... A Terra deu a volta ao Sol... 

Gosto muito desta celebração. Permite que a criança compreenda, de uma forma mais sensível e concreta, o movimento da Terra e os meses do ano. E acima de tudo é uma forma especial de conseguir estabelecer conexões entre a sua existência e a sua presença na Terra.



Aproveitamos sempre os livros para consolidar os nossos diálogos. Os livros ajudam-nos a reforçar a mensagem e a promover a curiosidade.

Ao longo desta jornada de comemoração da vida, fizemos um círculo de aniversário em argila. Inspirámo-nos no círculo de aniversário waldorf. Esse círculo é em madeira e dispõe de  furos onde são encaixadas o número de velas correspondente ao aniversário da criança. As pessoas juntam-se em volta do círculo à conversa. Se a criança quiser também se colocam objetos significativos.
Como não temos o círculo em madeira, a miúda fez em argila. Mostrei-lhe uma imagem do original e deu largas ao seu trabalho.







O número de velas é superior ao número de anos! Mas não faz mal... a miúda estava tão entusiasmada com o trabalho da argila e de colocar as velas! Tão bonito.


Também fizemos uma coroa de feltro, inspirada  nas especiais tradições waldorf. Na pedagogia waldorf, o pormenor faz toda a diferença. As coroas de aniversário de feltro trabalhado são uma preciosidade. 
A coroa de feltro que construímos é muito simples. Como se vê na foto utilizamos apenas feltro e pompons.   



Não  poderia faltar o bolo! Mãos na massa e fizemos um bolo de chocolate delicioso. Este bolo é muito prático,  não leva ovos e por isso não é necessário usar batedeira (yes!)





Enquanto o bolo está no forno, apreveitamos o tempo para uma outra atividade. Tabuleiro preparado para trabalhar o número correspondente ao aniversário, o quatro.




Depois de um dia tão intenso, merecemos uma boa fatia de bolo!



Celebrar a vida é isto. É estar presente e criar memórias.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...