19/04/2017

Os Ritmos da Criança | Montessori



“ Se a criança intenta pentear-se, o adulto, em vez de se encher de admiração por esta maravilhosa tentativa, sente as suas prerrogativas assaltadas, e apenas nota que a criança não se penteia bem, nem depressa, e não conseguirá fazê-lo, enquanto o adulto pode executar isso muito melhor.”

Pausa, para respirar fundo.

É assim que acontece, não é?
Qual é a ação imediata? Tirar (ou arrancar) o pente das mãos da criança.

Pausa, para respirar fundo.
  
O Método Montessori é também conhecido pela expressão “Seguir o ritmo da criança”. É um princípio do método, respeitar os ritmos de cada criança. Parece simples, mas não é. Aliás, exige do adulto uma grande capacidade de auto-regulação. A citação com que iniciei este texto é um exemplo da nossa (in)capacidade de compreender o ritmo da pequena criança. É claro que, conseguimos pentear mais rápido. Há quantos anos andamos neste mundo? Esquecemos que, aquela pequena criança conhece o mundo há “poucos dias”.
O adulto irrita-se com a criança, por causa do seu ritmo, pelos movimentos lentos e desordenados, tão diferentes dos seus. O adulto sente sofrimento por esse ritmo e tenta fugir, substituindo o ritmo da criança pelo seu. Sim, aquele ritmo da criança provoca sofrimento no adulto. E por isso ele foge desse estado de espírito. Ao substituir a criança, passa a sentir-se melhor.

“ Em vez de prestar auxílio às suas necessidades psíquicas mais essenciais, o adulto substitui a criança em todos os atos que esta quer realizar por si, vedando-lhe todos os processos de atividade e constituindo-se no mais poderoso obstáculo contra o desenvolvimento da sua existência.”

O adulto torna-se no maior obstáculo da criança. Quem diria! Só quer ajudar!

“Quem poderia imaginar que esta inútil ajuda dada à criança é a raiz de todas as repressões e, por conseguinte, causa dos perigosíssimos danos que o adulto ocasiona à criança.”



O adulto, ao ver que a criança desenvolve muitos esforços para executar uma ação que acha ser capaz de realizar mais rápido e melhor, sente a tentação de a ajudar e de a interromper. Este é dos maiores danos no desenvolvimento da criança, causados pelo adulto. Esta é uma das grandes causas para manifestações negativas ao longo da vida da criança.

O ritmo do movimento é parte integrante da construção do indivíduo. O adulto, consegue suportar o ritmo acelerado da criança, porque é associado à vivacidade da criança, mas o ritmo lento tende a substituí-lo.

“ O adulto poderia realizar uma espécie de missão: a do inspirador das ações infantis; um livro aberto em que a criança poderia descobrir as diretrizes dos seus próprios movimentos e aprender tudo o que é necessário para os executar bem.”

Para seguir o ritmo da criança é necessário que o adulto seja paciente e calmo. A criança observa todos os seus movimentos. Seguir o ritmo da criança é respeitar os seus movimentos, sejam eles lentos ou rápidos. Interrompê-los, nas suas preciosas ações, é eliminar a sua oportunidade de aprendizagem.



Escrevi este texto para o blog Our Picturing Days, um espaço de partilha muito intimista. A autora do blog, a Vânia, tem muita curiosidade sobre o Método Montessori e trocamos algumas ideias sobre este tema. Talvez as dúvidas da Vânia, sejam também as dúvidas de outras mães e por isso, partilhar conhecimento sobre este método é para mim uma alegria muito grande. Obrigada Vânia pela oportunidade.


·        * Todas as citações foram retiradas do livro A Criança, de Maria Montessori

20/03/2017

O Embrião Espiritual e a abordagem de Montessori à Amamentação e ao Babywearing


Quando pensamos no Método Montessori, associamos normalmente as imagens dos materiais, e em larga escala a imagem do quarto montessoriano. Mas o método é muito mais do que isso. Neste texto vou abordar três tópicos, pouco falados, sobre Montessori: o Embrião Espiritual, a Amamentação e o Babywearing. A ótica de Maria Montessori sobre estes temas é maravilhosa (tal como todo o método!) e reflete profundamente a busca de uma educação consciente e que respeite as necessidades das crianças.


 “E quem, como nós, se ocupa no sentido de ajudar a vida na educação da criança, não pode deixar de considerar a mesma como um ser vivo, durante o período do crescimento, e deixar de pensar, ou de procurar interpretar, qual é o seu lugar na biologia, isto é, no campo total da vida.”
Mente Absorvente, Maria Montessori
 A análise da origem biológica da criança é uma matéria estudada e abordada por Maria Montessori e é essencial para compreender o valor da vida da criança.
No livro Mente Absorvente, ao longo de três capítulos, Montessori explica a relação entre o Milagre da Criação, a Embriologia e o Embrião Espiritual. Constata que a humanidade conta com dois períodos embrionários: o pré-natal e pós-natal. Sendo que, o período pós-natal é uma fase de vida embriológica construtiva que torna a criança num Embrião Espiritual.
O recém-nascido inicia um trabalho formativo. Devido a este trabalho do ser espiritual, os primeiros cuidados ao recém-nascido, segundo Montessori, deveriam ser concentrados na sua vida psíquica e não apenas à vida física como é o mais habitual.

“Dá-se uma troca entre o indivíduo, ou, melhor, entre o embrião espiritual e o ambiente; por meio dela se forma e se aperfeiçoa o indivíduo. Esta atividade primordial, é análoga às funções da vesícula que, no embrião físico, representa o coração, a qual assegura a troca e a nutrição de todas as partes do corpo do embrião, enquanto se alimenta pelos vasos sanguíneos da mãe, o seu ambiente vital.”
A Criança, Maria Montessori
  
A criança que constitui o Embrião Espiritual, necessita de um ambiente de amor, de acolhimento e tem uma necessidade física, de um ambiente especial – o seio materno.
E sobre a Amamentação, no livro Mente Absorvente, encontramos estas duas frases maravilhosas:

“Observa-se também, em muitos povos, o costume de prolongar o aleitamento: em alguns países por um ano, em alguns outros por um ano e meio, ou até dois, e até mesmo três. Ora, não se trata de uma exigência da criança, pois ela já atingiu, de há muito, a possibilidade de se nutrir com outros alimentos, mas o aleitamento prolongado é razão para a mãe não se separar do filho e também é uma necessidade subconsciente da mãe de dar ao seu filho o auxílio de um completo ambiente social que lhe determine o desenvolvimento.“
“Assim sendo, a nutrição da criança e o amor que unem as duas criaturas solucionam o problema da adaptação ao ambiente de um modo natural. Mãe e filho nada mais são, portanto, do que uma só pessoa.”

Aceitamos esta sabedoria e permanecemos sempre na esperança que o mundo compreenda a importância da amamentação. Talvez, fosse imediato imaginar que o método não referisse este momento tão inicial da vida das crianças. Mas, na verdade, o Embrião Espiritual que se está a formar precisa de um ambiente próximo à mãe. A adaptação da criança ao mundo será mas simples se o ambiente lhe favorecer essa ação.
Montessori, vai mais longe ainda, sobre os cuidados na infância. Babywearing, será a palavra mais atual para descrever o que quer dizer com “…o modo diferente, por exemplo, que se usa para carregar a criança.”
Montessori, no seu livro a Criança, oferece-nos ainda a leitura sobre a maravilha que representa, carregar o filho. Hoje, existem várias formas ergonómicas de carregar a criança. Ter a possibilidade de carregar consigo é uma experiência única. A criança tem a oportunidade de estar sempre em contato direto com mãe. Mas, para além disse tem a oportunidade de ver o mundo.

“Os vários grupos humanos, raças e nações, apresentam- nas outras características; o modo diferente, por exemplo, que se usa para carregar a criança. Trata-se de uma particularidade entre as mais interessantes, ressaltada pelos estudos etnológicos. Geralmente as mães colocam a criança num bercinho ou num saco, mas não a levam ao colo. Em alguns países as crianças são amarradas com laços a um pedaço de madeira que, depois, é colocado sobre os ombros da mãe quando está se dirige ao trabalho. Algumas prendem a criança ao peito, outras às costas e outras ainda as colocam em cestas, porém em cada povo a mãe encontrou o modo para levar com ela o filho.”




“Em muitos países vemos que as crianças não são tratadas tão em contraste com as exigências da natureza como acontece com os ocidentais. Na maior parte dos países a criança acompanha a mãe aonde quer que esta vá, e mãe e filho são como um único corpo. Ao longo do caminho a mãe fala e a criança escuta. A mãe discute com um fornecedor a respeito de preços e a criança está presente, escuta e vê qualquer coisa que a mãe faça. (...) Na verdade, quando uma mãe discute no mercado o preço da fruta percebe-se que os olhos da criança se iluminam devido à intensidade do interesse que a palavra e os gestos provocam nela.”

O mundo é tão rico em imagens, em sons, em texturas que a criança só pode beneficiar dessa variedade de estímulos reais. Essa relação direta potencia o seu desenvolvimento sensorial. E Montessori é isso, é a educação para os sentidos.

“Observa-se também que o pequenino, levado com a mãe, nunca chora a menos que esteja doente ou machucado, adormece algumas vezes, mas não conhece o pranto. Observou-se nas fotografias, tiradas com o objetivo de documentar os hábitos sociais de um país, que em nenhuma delas a criança, que é fotografada ao lado da mãe, está chorando. Entretanto pode-se dizer que o choro das crianças é um problema dos países ocidentais. É muito comum entre nós o lamento dos pais porque o filho chora e o interesse deles em saber como poderão acalmá-lo e fazê-lo parar de chorar.”

Será que o choro das crianças é um problema do mundo ocidental? Será que estas crianças se irritam com mais facilidade? Será que a maior parte das vezes vivem afastadas das suas famílias, da sua mãe e isso as deixa tão angustiadas, que o choro é uma forma de expressão dessa dor?

“Hoje, as respostas de alguns psicólogos é esta: a criança chora e fica agitada, tem crises de choro, de mau humor porque sofre de inércia mental. E estão com razão; ela é mentalmente uma subnutrida, mantida prisioneira num campo limitado e cheio de obstáculos ao exercício de suas faculdades.”

Talvez esta seja a resposta. As crianças são limitadas na sua aprendizagem, porque são afastadas do mundo real, da natureza. Isso constitui um obstáculo ao seu desenvolvimento natural, gerando na criança emoções negativas.
Claramente uma incrível observadora do comportamento humano, Maria Montessori, fez o registo destas observações e partilhou-as com o mundo através da sua obra.
Conhecer o método Montessori, passa também por conhecer esta fase de desenvolvimento, pelo princípio da vida.
O método é um valioso “instrumento” no auxílio à vida, para que esta se desenvolva. Cada criança indica as suas necessidades através de manifestações espontâneas. E se a criança for ajudada segundo as finalidades humanas, terá certamente mais possibilidades de desenvolver as suas potencialidades.

“Se nada auxilia a criança, se o ambiente não foi preparado para a receber, será um ser em contínuo perigo, sob ponto de vista da sua vida psíquica. Está exposta a encontros obstrutores, a lutas pela existência psíquica, inconscientes, mas todavia reais, de consequências fatais para a construção definitiva do indivíduo.”

Olhar para o recém-nascido, para a criança como um ser espiritual, com vida psíquica, ajuda-nos a ser um melhor adulto. Com essa visão vamos tentar preparar um ambiente acolhedor, facilitador do desenvolvimento natural. Montessori não é apenas materiais, que por sua vez, são geniais! Montessori é sobre Vida. É também um método inspirador sobre como podemos ser iluminados no difícil caminho da parentalidade.

Tive muito gosto em escrever este texto para o lindo blog OVO. O blog da Marta é um espaço com muita informação útil sobre os temas da maternidade. Um dos meus textos preferidos do blog é sobre o sistema imunitário das crianças. Espreita o blog, que vale mesmo a pena!

02/03/2017

Função Executiva | Aprendizagem | Comportamento | MONTESSORI


"As crianças determinam as suas ações com base nas leis da natureza, os adultos calcados na reflexão. Para a criança cultivar este poder é necessário que não tenha sempre por perto alguém que lhe diga o que deve fazer em cada instante da sua vida, porque esta determinação provém da possibilidade de ação das forças internas. Se alguém usurpa o trabalho do guia interior, a criança não pode desenvolver nem a determinação nem a concentração." Maria Montessori, Mente Absorvente
O que é a Função Executiva
Foi a pergunta que fiz, quando li o título do capítulo sobre este tema, no livro Montessori, The Science Behind The Genius. Daí iniciei uma pesquisa mais atenta. Conforme fui lendo sobre o assunto, ficava ainda mais confiante sobre a potencialidade deste método.

Pensamos, quase sempre, que o conhecimento é a resposta para o sucesso.  Já escrevi sobre isso no texto As pequenas coisas que nos ligam. Qual será o conhecimento necessário, daqui a dez anos, para ser bem sucedido? Alguém saberá a resposta? Então, é o conhecimento que nos vai garantir o caminho do sucesso? Nesse texto, referi que as crianças mais do que conhecimento e informação, vão necessitar de pensamento criativo, de envolvimento e de vontade.
Pois, será que entra aqui a Função Executiva?

A Função Executiva, contempla várias habilidades cognitivas:
  • controle inibitório (controle de um pensamento ou comportamento)
  • memória de trabalho
  • flexibilidade mental 
  • concentração
Portanto, o termo função executiva  descreve um conjunto de habilidades cognitivas que  são necessárias para realizar determinados objetivos, por meio de ações, decisões e comportamentos adequados.

Em Montessori, através do ambiente preparado para responder às necessidades das crianças, nos seus diferentes estádios de desenvolvimento, a auto-regulação surge de forma extraordinária. O auto-controle da criança vem de dentro dela. Não é imposto pelo adulto, por ordens externas ou por demais regras.

O auto-controle e a auto-regulação da criança, moderam o seu comportamento. Este equilibrio  no comportamento liberta a criança, favorecendo a sua função executiva. 

Acho que os dois vídeos que partilho a seguir, ajudam a compreender melhor o conceito de Função Executiva. 






O processo de descoberta é o coração da aprendizagem. E a alegria que provém da aprendizagem significativa é incrivelmente bela. Como aprende o cérebro? Como acontecem as neuroconexões? Não é por memorização de conteúdos, mas sim em contextualização. Não há mistério nisto. 

Compreendemos assim que a Função Executiva tem muita importância na vida criança.
Quanto melhor é a função executiva da criança melhor é o seu desempenho. Lógico. 

Como podemos potenciar a Função Executiva das crianças? 
Criando um ambiente preparado, com adultos que as escutam. 

O sistema de pressa atual, de recompensas, dificulta o desenvolvimento saudável da criança. E assim, toda a sua capacidade de concentração, de controlo inibitório, de memória de trabalho e de flexibilidade mental ficam longe do seu potencial.

"A criança faz as suas aquisições durante os períodos sensíveis, os quais se podem comparar a faróis acessos, iluminando interiormente, ou a um estado elétrico que dá lugar a fenómenos ativos. Esta sensibilidade é que permite à criança pôr-se em contato com o ambiente, de forma intensa. E então tudo é fácil, tudo é entusiasmo, vitalidade. Todo o esforço representa acréscimo de poder." Maria Montessori, A Criança

A Função Executiva é um conceito algo complexo, tal como cada cérebro! Mas, talvez, estudando mais este assunto, conseguíssemos ajudar mais as crianças, ou melhor, os adultos. Podíamos compreender melhor o ritmo de cada criança, respeitando as suas necessidades e os seus interesses. Talvez assim, todas as crianças desenvolvessem o amor por aprender.





28/02/2017

Isto não é uma atividade! É um brinquedo!



- Mãe, quero fazer uma atividade.
- Está bem! Vamos! Tenho ali algo preparado, muito interessante. 
Muito entusiasmada (porque adoro mapas), preparo o ambiente, coloco os objetos e desenrolo o mapa.
- Mãe, isto não é uma atividade! Isto é um brinquedo!
- Oh Filha, é uma atividade super gira. Então, com o mapa e os animais...
- Não, não é. Isto é um brinquedo.

Quando apresentei esta atividade à miúda, ela reagiu desta forma. Como faria ela essa distinção: brinquedos, de materiais montessori e de atividades inspiradas no método? Acredito que, está relacionado com toda a nossa vivência Montessori em casa. 
As pessoas perguntam-me o que é o Método Montessori e porque eu o acho assim (tão) espetacular!😊 E eu nem sempre me consigo explicar bem. Talvez esta passagem possa ser uma resposta.

Para Maria Montessori, os brinquedos constituem algo de inferior na vida da criança e que esta só os escolhe, quando não tem nada melhor. Os brinquedos parecem ser a representação de um ambiente inútil, que não pode conduzir a qualquer concentração do espírito e não representa uma finalidade: é dar objetos ao espírito para que vagueie na ilusão. Os adultos, por sua vez, estão convencidos que estes constituem o universo em que a criança encontra a felicidade. Mas, os brinquedos que oferecemos são criadores de ilusão e de imagens imperfeitas e estéreis.
Ao contrário dos brinquedos, os materiais exigem concentração, transformando-se os pequenos em crianças sossegadas, atraídas pela realidade. A inteligência ávida de conhecer a realidade ambiente, transforma-se em vontade.  A criança cresce e desenvolve-se continuamente com os materiais e esquece a atividade ociosa. 

Ora bem, esta visão pode ir contra o que estamos habituados: que as crianças precisam de brinquedos para se desenvolverem e estimularem a imaginação. Há brinquedos interessantes e que certamente ajudam a estes estímulos. E tudo faz parte. 

Esta passagem em que a miúda disse que o mapa era um brinquedo, fez-me pensar neste assunto. Para mim, não sendo uma material montessori, é um material didático. 

Estivemos um bom tempinho concentradas nesta atividade! A descobrir os países onde vivem alguns familiares e locais por onde passamos. A conversar sobre a origem das pessoas.

Uma das manifestações infantis, a mais saliente, aquela que parece devida a um talismã mágico, que abre as portas para a expansão do carácter normal, é a atividade concentrada num trabalho e exercitando-se sobre um objeto exterior com movimentos das mãos, guiados pela inteligência. A Criança, Maria Montessori

10/02/2017

Matemática Montessori | Barrinhas de Contas



Pequenas contas coloridas, ligadas entre si por um arame.  Para a criança é uma alegria contar, com este material tão atrativo . A criança, inicia com a contagem das contas, uma a uma. Por fim, acaba por reconhecer o número de contas não pela contagem das unidades, mas já pela sua cor: dourado, 10; castanho, 6...







E depois vamos acrescentar mais barras de contas e aprofundar o sistema decimal. 💙

O trabalho íntimo da criança transpira uma espécie de sensibilidade, revelando-se tão sómente quando o adulto não intervém com a sua supervisão e conselhos. Deixemos a criança livre na aplicação das suas habilidades; ela se revelará sensível às conquistas superiores que se hão de seguir. Maria Montessori, Pedagogia Científica




Matemática Montessori | DIY Barras Numéricas


... este método, em que intervém, a todo o instante, o gesto da mão que desloca objetos, fazendo-se, assim, incessantemente, um exercício de educação sensorial... Maria Montessori, Pedagogia Científica

As barras numéricas são uma série de dez barras vermelhas e azuis. É o primeiro material a ser usado para a numeração. A barra mais curta tem 10cm, a mais longa tem 1m de comprimento. Cada segmento de 10cm é colorido, alternadamente, em vermelho e azul.

A vantagem deste material é a apresentação - podem-se apresentar, de forma visualmente distinta, as unidades que compõem cada um dos números que representam. Por exemplo, a barra do 3, corresponde ao número 3 e as 3 unidades distinguem-se através das cores. Desta forma, ultrapassa-se a dificuldade das crianças em compreender a numeração. No início da aprendizagem, muitas crianças contam, falando decorado a sequência natural dos números, mas ficam confusas com as quantidades que lhes correspondem. O espírito concreto da criança exige um apoio preciso e claro.



As barras crescem, gradativamente, em comprimento, de unidade em unidade. Facilitam a ideia relativa do número e das proporções e abrem o caminho para a aprendizagem da aritmética.
Colocando a barra do 1 ao lado da barra de 2, obtém-se um comprimento igual à barra do 3.


E que é esta combinação de quantidades senão a finalidade das operações matemáticas? É ao mesmo tempo um jogo agradável, que consiste em deslocar objetos. E o progresso avança até os limites extremos que a idade infantil permite. Maria Montessori, Pedagogia Científica

Com este material, de forma direta a criança começa a definir a contagem de 1 a 10 e a estabelecer a associação dos números e quantidades.  De forma indireta desenvolve o raciocínio matemático e prepara para o cálculo mental.

Este material é possível de ser um diy! ;)


Precisamos de:
- 2 barrotes de madeira 12mm*18mm, com 240cm de comprimento;
- 1 barrote de madeira 12mm*18mm, com 90cm de comprimento;
Nota: Estas medidas eram as disponíveis na loja. A medida total que é necessário é 550cm;
- tinta vermelha e tinta azul. Apliquei as guaches que já tinha em casa, mas pode ser usada tinta em spray;
- pincéis;
- fita de pintura. Usei fita com 5cm de largura, mas com 10cm torna o processo mais fácil.

Procedimento:
- fazer o corte das 10 barras, desde os 10cm até aos 100cm.
- colocar a fita de pintura. Comecei por pintar em vermelho, por isso coloquei primeiro a fita nos elementos que iriam ser pintados posteriormente em azul.
- passar os pincéis para as mãos dos miúdos e deixá-los pintar!💚 
- quando os elementos vermelhos já estiverem bem secos, é altura de retirar as fitas e repetir o processo para pintar em azul.

E já está!

Com as barras numéricas podem ser feitos vários exercícios, começando até pela brincadeira de medir a altura da criança. Evoluindo  para a contagem, para diferentes somas e por aí adiante.

31/01/2017

Sobre a obediência das crianças


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