11/11/2016

Celebrar o S. Martinho


Conta a história  que, no ano de 337, próximo da cidade de Samarobriva/Ambiano (atual Amiens, capital da da região de Picardia em França), ocorreu o famoso episódio do manto: Numa noite chuvosa de Novembro, um mendigo que tremia de frio pediu uma esmola a Martinho. Como não tinha moedas, Martinho cortou o seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte...

Não é pela história ou por questões religiosas que valorizo este dia. Gosto de celebrar o S. Martinho, pelo convívio que se gera em volta da fogueira e das castanhas. Mas, para além deste encontro, há um outro momento que acho muito lindo e que quero partilhar convosco. Não é uma tradição portuguesa e por isso esta partilha leva-me à minha infância e ao desejo de transmitir esta celebração à minha filha.

A celebração simbólica de S. Martinho com a  Caminhada da Lanterna, com a Canção da Lanterna e com a História da Menina da Lanterna, é uma lição de amor e de empatia (vivida com muito carinho nas escolas e comunidades Waldorf). 
Muitas vezes questionamos como educar uma criança para ser, como transmitir os valores que achamos importantes. Então, podemos usar estas histórias e estes momentos para isso mesmo. Talvez as lanternas possam simbolizar a alma das crianças. Nesta altura do ano o dia vai diminuindo e a luz da lanterna pode ser pequena, mas toda a luz transmite serenidade na escuridão. A chama da luz, colocada na lanterna, segue segura pelo mundo escuro.

São momentos especiais que criam conexão, que criam memórias. Preparamo-nos ao longo dos dias para este ritual. Vamos aceitando o recolhimento, sem nunca perder a força da luz interior. A luz e a escuridão são símbolos constantes na nossa caminhada de vida. As crianças precisam desse conhecimento. Precisam de ter esperança na luz. Na luz da Humanidade. 

Eu vou com a minha lanterna,
Lanterna comigo vai,
No céu brilham as estrelas
Na terra brilhamos nós.
A luz se apagou,
P´ra casa eu vou,
Com a minha lanterna na mão


A Menina da Lanterna
Era uma vez uma menina que carregava alegremente a sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento e apagou a lanterna da menina.
Ah! Exclamou a menina. – Quem poderá reacender a minha lanterna? Olhou para todos os lados, mas não encontrou ninguém. Apareceu, então, uma animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.
Querido ouriço! O vento apagou a minha luz. Será que sabes quem poderia acender a minha lanterna? E o ouriço disse-lhe que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava de ir para casa cuidar dos filhos.
A menina continuou a sua caminhada....



A Caminhada da Lanterna

Vou acender a minha lanterna
P'ra iluminar a escuridão
Vou caminhar aqui na Terra
E vou cantando essa canção
Vou convidar cada criança
A cantar com a voz e o coração
P'ra ter de volta a esperança
E acender a luz do coração


Podemos fazer uma lanterna de vidro, aproveitando para reciclar os frascos que vamos acumulando. Qualquer frasco serve, coloca-se arame em volta para segurar  e no interior uma pequena vela. Segura-se com a mão ou com outro arame ou mesmo com um pau.
Se quisermos fazer alguma outra atividade manual com as crianças, podemos construir uma lanterna de papel. Deixo aqui um link para um vídeo, que na parte final apresenta um tutorial simples para fazer uma lanterna de papel. Depois é só usarem a imaginação. 

2 comentários:

  1. Não conhecia a história e muito menos a magia que este dia pode ter. Muito obrigada! <3

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