11/09/2017

Parentalidade Positiva


Os pais são o espelho sempre continuado da vida dos filhos. O olhar de confirmação que eles procuram, a fonte diariamente reforçada de um amor-próprio que circula como seiva para além de qualquer pergunta, acima de qualquer resposta, e alimenta os ramos, as folhas, mais tarde as flores. E os filhos são a imagem do que, em cada momento das suas vidas, os pais lhes puderam ou quiseram dar, a expressão mais visível de um jardim parental. Pedro Strecht
A parentalidade é um caminho de auto-conhecimento. Buscamos o melhor de nós. Não existem fórmulas. Não temos sempre as respostas. É neste trajecto que, a leitura de um livro pode fazer a diferença. Um livro é sempre um bom companheiro de viagem. 

O livro Parentalidade Positiva, de Pedro Strecht, publicado pela editora Verso de Kapa, é uma excelente leitura para quem deseja melhorar a sua relação com as crianças. Através de alguns exemplos da sua experiência pessoal e clínica, a análise da mensagem torna-se mais clara e por isso mais directa.
Numa escrita cativante e serena, em cada página, o autor oferece-nos um espaço para reflexão. Ao estilo de escrita narrativa e fluída, o autor aborda temas essenciais, que nos preocupam enquanto pais e educadores. Desde a comunicação entre pais e filhos, novas tecnologias, birras, castigos, hiperactividade, sono, à separação, divórcio e novas famílias, pelas cento e trinta e cinco páginas, encontramos vinte capítulos:
  1. Relativizar os problemas
  2.  A construção da autoestima
  3.  Reforçar positivamente
  4.  Comunicação entre pais e filhos
  5.  A gestão do tempo no dia a dia
  6.  Da dependência à autonomia
  7.  A importância do sono
  8.  Alimentação na infância
  9.  Regras e limites
  10.  Birras, oposição, castigos
  11.  Brincar é fundamental
  12.  A criança e os media
  13.  O peso das novas tecnologias
  14.  Mente sã em corpo são
  15.  Hiperatividade e défice de atenção
  16.  Escola e aprendizagem escolar
  17.  Sobre a utilidade da Expressão Artística
  18.  Separação, divórcio e novas famílias
  19.  A criança perante a doença e a morte
  20. Trauma na infância

Ainda hoje, em pleno parque infantil, assisti a uma cena miserável: um adulto que violentamente deu um puxão de orelhas, a uma criança de pouco mais de quatro anos. Não é episódio único. Não há razão alguma, para justificar este tipo de agressão. Estes adultos precisam de ler este e outros livros sobre educação. Por isso, saliento a frase na imagem anterior, que faz parte do capítulo dez, das birras, oposição e castigos. A sociedade em geral precisa de evoluir nesta questão, pois é demasiado comum. 
Avançamos muitíssimo em milhares e milhares de anos de civilização mas, mesmo assim, é espantoso acreditar que só as últimas décadas trouxeram uma noção bem definida de protecção à infância, de direitos dos mais novos e de necessidade de suporte a quem se torna pai ou mãe. Pedro Strecht

BOAS NOTÍCIAS
A editora Verso de Kapa vai oferecer dez exemplares deste livro, a quem também comprar o livro Educar com o Coração - Pedagogia Montessori em Casa
Para mais detalhes acompanhem o facebook do Taquid. 
Grata. 💚

01/09/2017

Nature Smart


A Inteligência Naturalista identificada por Howard Gardner, na sua teoria sobre as Inteligências Múltiplas, verifica-se no interesse e compreensão pela natureza. Existe uma sensibilidade da pessoa para a descoberta dos elementos da natureza, da sua variedade e das suas características. Nature Smart é um termo mais informal utilizado para esta inteligência. Ser Nature Smart é algo que podemos sempre desenvolver ao longo da vida. 
A criança é por "natureza" Nature Smart. Mas, o ritmo de vida de hoje está a anular esta inteligência. O número de horas que as crianças passam em circuitos fechados é demasiado elevado. E não está, de forma alguma, em equilíbrio com o número de horas passado ao ar livre. 
A natureza é uma das primeiras janelas de curiosidade da criança e é, certamente, a janela que pode ajudar a recuperar o significado a quem a perdeu. Catherine L'Ecuyer, Educar na Curiosidade

Um ambiente rico e aberto apresenta continuamente escolhas à criança. Constrói-se uma ligação criativa e fluída. Um ambiente rígido, confinado, limita o desenvolvimento. Um ambiente que não promove o trabalho autónomo, a ligação do mundo interior ao mundo exterior da criança, não lhe permite desenvolver os sentidos. A criança aprende através dos sentidos.



Um educação rica em experiências, no mundo natural,  ensina através dos sentidos. Richard Louv, Last Child in the Woods

Quando a criança está num espaço natural, a natureza fornece-lhe todos os brinquedos que precisa. As bolotas transforma-se em pessoas. Formam uma família e a fenda da árvore é a sua casa. As flores e as ervas enfeitam o jardim. Com os pauzinhos construímos o caminho até à casa...



Earth who gives to us this food
Sun who makes it ripe and good
Dear earth, dear Sun, by you we live
Our loving thanks to you we give
(Poema Pedagogia Waldorf)

Este poema é tão sensível e inspirador. Sentar no jardim e agradecer por tanta beleza natural,  é um exercício maravilhoso para fazer com as crianças. Aprender a estar grato é essencial para valorizar o que nos rodeia. As crianças adoram os bichinhos, adoram os pauzinhos que encontram nas suas caminhadas. Por isso, eles conseguem bem entender o que é estar grato pela natureza.




Às vezes também levamos materiais de pintura para o parque. Pintamos, por exemplo, árvores. Colhemos folhas, galhos, fazemos poção mágica de erva...

Levemos a criança ao ar livre, para lhe mostrar as coisas reais em vez de fazer objetos que representam ideias e que se fecham em armários. Maria Montessori, From Childood to Adolescence



As saídas ao exterior, cujo objectivo não sejam puramente (...) uma questão de saúde, nem uma necessidade prática, mas que se tornem numa experiência viva, irão tornar a criança consciente da realidade. Maria Montessori, From Childhood to Adolescence















16/08/2017

A Concentração e a Mão Infantil



Imaginemos um grupo de cinco crianças. Estarão todas concentradas ao mesmo tempo, sobre a mesma coisa? Não.
Então, qual a razão de as mantermos ocupadas a realizarem o mesmo trabalho? Quando lhes permitimos livre escolha, elas não estão apenas entretidas. As crianças, com livre escolha, concentram-se no que decidiram fazer. 
Resultado? Concentração espontânea.



O trabalho das mãos é um elemento essencial no desenvolvimento da concentração. Através das mãos a criança explora o mundo e desenvolve as funções cognitivas. A sua profunda concentração e ligação ao trabalho, provoca na criança uma alegria imensa. Daí resultará o amor por aprender.

Não são necessárias ordens, instruções, berros, comparações, julgamentos - ou seja, qualquer ruído, intervenção ou manipulação por parte do adulto, que provoque dor e afastamento da criança. Estas acções sobre a criança, anulam a sua vontade. Já ouvi por demasiadas vezes, chamarem crianças de "preguiçosas". Mas isso é mesmo possível? Não, pois não!? 
As crianças são pura alegria, puro movimento. Como alguém (lá do alto) pode rotular uma criança de preguiçosa? (Eu sei) O que aconteceu, é que toda a vontade e concentração espontânea da criança, foi anulada, por diversas vezes (demasiadas).










23/07/2017

Salada de Flores


A Fernanda Botelho é uma reconhecida Herbalista e tem espalhado sementes através dos seus livros e do seu blogue http://malvasilvestre.blogspot.pt/. Tem diversas publicações em revistas e presenças em programas televisivos. Participa em projetos escolares de educação ambiental e partilha com as crianças a sua sabedoria. É autora de vários livros.

O seu livro Salada de flores é um excelente livro infantil de iniciação à botânica e à ecologia. Escrito de uma forma sensível, as personagens participam numa inesquecível viagem ao mundo das plantas. Entre malvas e calêndulas, borragens e tanchagens,a Sara, a Maria, a Carolina e o Rodrigo divertem-se e aprendem. Uma horta ecológica onde não há lugar para adubos químicos, uma piscina em que a limpeza da água não depende do cloro, e uma casa de argila e de palha, com um jardim no telhado, são o cenário ideal para a aventura da Sara, da Maria, da Carolina e do Rodrigo, quatro amigos de palmo e meio que partem à descoberta da natureza.


Livro 'Salada de flores' from Sara Simões on Vimeo.


A quinta da Sara tem uma casa com um telhado verde.
Verde como a horta que fica mesmo ao lado,

Onde crescem morangos perto da borragem.

A borragem que dá coragem,

Coragem de não ter medo das urtigas.
Urtiga que servem para fazer chá, sopa e chorume.




 (origem Fernanda Botelho)

Nunca mais esqueci o livro, desde que o vi pela primeira vez numa livraria. Na altura achei que era um livro tão único, por ser dedicado a plantas e flores e escrito por uma autora portuguesa. As lindas ilustrações de Sara Simões tornam este livro ainda mais especial.

É curioso que,  por via deste blogue, tenha agora a oportunidade de ler o livro e de escrever este texto. Só posso sentir gratidão. 💜
Mas, não fazia ideia de outro pormenor maravilhoso - a Fernanda Botelho tem formação em Educação Montessori! Não há coincidências. Por alguma razão a encontrei.

Não resisti em colocar-lhe algumas questões sobre o Método Montessori. 

Como encontrou o método Montessori?
Desde muito cedo que tive a certeza que queria trabalhar com crianças e com plantas. Fui viver para Londres aos 17 anos e comecei a pesquisar vários cursos de pedagogia. Uns anos mais tarde, em 1985, depois de algumas viagens, regressei a Londres e  quando o meu inglês já estava bem interiorizado decidi inscrever-me no curso de Educadora Montessori.

Porque decidiu estudar o método?
Por várias razões. Existem muitas coisas nessa pedagogia que fazem sentido como a forte ligação à Natureza e o constante reforço nos métodos que conduzem a uma grande autonomia e independência da criança. Os exercícios muito estruturantes são ótimos em crianças que tenham uma natureza organizada e algum sentido de ordem mas são mais difíceis em crianças mais caóticas e desconcentradas acabando estas muitas vezes por se sentir frustradas ao não conseguir realizar. Existem muitos métodos pedagógicos e existem muitos tipos de crianças, para umas este método será ideal para outras fará mais sentido a pedagogia Waldorf ou Pestalozzi ou outra.

É possível aplicar o método em casa? 
Sim, claro.

Comentário final.
As pedagogias são como as religiões, não existe uma que esteja completamente certa. No fundo, a essência de todas as religiões, assim como a essência de grande parte das pedagogias é cuidar do bem-estar  e do desenvolvimento saudável e feliz de todas crianças.
Continuo no entanto a achar que uma boa pedagogia posta em prática por alguém que não tenha paixão e amor pelo que faz, não serve de nada. A melhor pedagogia é mesmo o amor e a verdade.


(origem Fernanda Botelho)

A botânica é um tema muito forte no Método Montessori. Já escrevi, várias vezes ao longo dos textos deste blogue, que a Natureza desempenha um papel fundamental no método. 
Salada de Flores é um livro fantástico para incluir nesta aprendizagem. A Fernanda Botelho vai às escolas apresentar o livro e leva um cesto das flores que constam no livro. As escolas deveriam incluir esta atividade no seu plano anual. Mesmo que, não haja a possibilidade da visita da autora, poderiam adquirir o livro e seguir a sua história, que é um lindo guia de introdução à botânica. Quer seja através da  história, quer seja através das ilustrações é delicioso apresentar às crianças. E será ainda melhor se forem juntos, colher as plantas. A mesma sugestão para fazer com a família.

Encantadas e inspiradas no livro, já começamos a fazer coisas! 😊



Entretanto, vamos colher flores e fazer a salada de flores comestíveis. 💚💚 Ou então, talvez o bolo de alfarroba.


A boa notícia é: A Fernanda Botelho e a sua editora Dinalivro Edições vão oferecer um exemplar aos seguidores do Taquid. 💚💛😊😊 Estejam atentas/os à página de facebook


Próximos eventos de Fernanda Botelho
13 de Agosto na Quinta da Ribafria em Sintra
3 de Agosto em Sintra Programa Ciência Viva (gratuito)
4 de Agosto Festival Zimp em Seia.
23 e 24 Agosto Jardim Botânico do Faial nos Açores
3 de Setembro na Quinta da Ribafria em Sintra
12 e 13 de Setembro em Sintra Programa Ciência Viva (gratuito)

12/07/2017

Dar voz al niño


O título do livro – Dar a voz al niño - despertou a minha atenção. O que significa dar a voz á criança? 

A autora do livro Yvonne Laborda tem um discurso provocador, sem rodeios e palavras amenas.  E foi essa forma de escrever que me levou a querer partilhar o livro com os seguidores do blogue. A realidade é sempre difícil de aceitar, mas é essencial para a nossa cura e para criar gerações mais pacíficas. Com este livro, a autora procura despertar as consciências para uma comunicação de amor e de intimidade emocional com as crianças.

A violência sobre as crianças tem diminuído (às vezes tenho dúvidas) ao longo das gerações, ou pelo menos não é tão visível. Mas, existe ainda agressividade na forma como comunicamos com a criança e como a tratamos. Ao longo de todos os capítulos, a autora dá vários exemplos sobre a agressividade a que as crianças são sujeitas. 

A Yvonne Laborda permanece na esperança e acredita que, num futuro próximo seja possível alterar esta realidade.

que un día no muy lejano también nos daremos cuenta que castigar, amenazar, obligar, forzar, gritar, desatender, no escuchar, ordenar, exigir, premiar, humillar, rechazar, criticar, juzgar e ignorar a un niño también es mal trato, abuso emocional y un acto de violencia.

Segundo a autora, se na nossa própria infância tivemos pouca ou nenhuma voz, dificilmente daremos a voz aos nossos filhos. Aqui estará a grande questão. É necessário escutar a criança, deixando de julgar as suas necessidades legítimas.


O livro, composto por quase trezentas páginas, está dividido em quatro capítulos:
  1. Qué nos impossibilita conectar emocionalmente com los niños?
  2. Las cuatro raíces de la crianza consciente
  3. Sintiendo al niño
  4. Criando un nuevo mundo
Neste link pode ler com mais detalhe o índice e a introdução.

Um dos objectivos do trabalho de Yvonne é ajudar a cortar a cadeia transgeracional de desconexão e de falta de empatia pelas necessidades da criança. Acredita que, numa só geração é possível ter mais adultos que viveram infâncias mais humanas. Uma geração pode construir uma parentalidade mais consciente. Mas, como se pode mudar toda uma sociedade? Simplesmente, mudando a forma como nos relacionamos com a criança: criando relações mais amorosas e pacíficas e libertando-nos de juízos, críticas, expectativas e necessidade de controlo. 

Já Maria Montessori, havia escrito sobre este assunto, no tema educar a humanidade para a paz. 
Só através de uma educação consciente e respeitadora da criança se pode construir a paz no mundo e no pequeno mundo da criança e da família.

Um exemplar deste livro será oferecido pela autora, através de um sorteio na página de facebook do taquid. ❤❤ Aproveite! Fique atenta/o! 

21/06/2017

Educar com o coração


Cristina Tébar é a autora do livro «Montessori en casa – El cambio empieza en tu família», publicado em Portugal com o título «Educar com o coração – Pedagogia Montessori em Casa».

A autora do livro encontrou Montessori, após o nascimento do seu filho. À medida que foi lendo Montessori, apaixonou-se pelo método e começou a integrá-lo, como modelo educativo, no seu estilo de vida. É fácil de perceber porque me identifico totalmente com esta autora. Aconteceu-me a mesma coisa. A partir do momento que conheci o método, comecei a estudá-lo e a aplicá-lo em casa. E esta paixão pelo método é partilhada convosco através deste blogue.💜

O livro é de leitura simples e agradável e é indicado para quem deseja iniciar o método em casa e precisa de se organizar. Para os leitores com mais conhecimento, será uma leitura que vem confirmar e apoiar a certeza de que se trata de uma pedagogia de amor e de educação para a vida. 
Não é um livro com imagens e explicação técnica dos materiais, nem com exemplificação de atividades. São cento e cinquenta e sete páginas inspiradoras.

Vai ficar a perceber o que é Montessori, enquanto pedagogia e como filosofia de vida, ajudando-o a arrumar toda a informação (...).

O conteúdo está dividido em sete capítulos:
  1. Porquê o interesse em Montessori se não sou docente?
  2. Uma visão global de tudo o que abrange Montessori
  3. Existe Montessori fora da escola? E funciona?
  4. Quero aplicar Montessori em casa. Por onde começo?
  5. Dúvidas, hesitações e dificuldades na hora de adotar a filosofia Montessori?
  6. Crie o seu próprio plano de ação
  7. Ideias e inspiração para momentos difíceis
Gostei especialmente do capítulo cinco, porque responde a dúvidas que me colocam regularmente. Por exemplo, se Montessori funciona com todas as crianças.

Um dos temas que mais abordo nos meus textos é o Adulto Preparado. Cristina Tébar, também escreve sobre este tópico que é extremamente importante para quem deseja seguir o método.


O livro foi lançado pela editora verso de kapa. Em boa hora o fez!  
Se estiver interessada em comprar o livro (com desconto 😊), pode fazê-lo por aqui, pelo blog. Basta enviar-me uma mensagem pelo facebook ou através do email nutrichild@gmail.com

Acredito convictamente que Montessori pode existir fora da escola. Talvez não da mesma forma e com algumas dificuldades, mas, sem qualquer dúvida, faz muito sentido integrar a filosofia Montessori não só no nosso projeto educativo, mas também no nosso estilo de vida.

Eu também acredito. Não é de um dia para o outro e não é fácil. É uma escolha. É sobretudo uma transformação do adulto. 💙

"(...)as pessoas são diferentes e, enquanto algumas são mais receptivas, outras revelam resistência para interiorizar ideias novas que chocam diretamente com as que lhe foram passadas ao longo da vida."
"Alguns dos princípios Montessori que podemos introduzir em casa são a eliminação dos castigos, das recompensas e dos elogios, o respeito pela concentração, o equilíbrio entre a liberdade e os limites e a compreensão plena da diferença entre a imaginação e a fantasia."

"Depois de uma luta de anos contra a matemática - até alcançar um limite e começar a odiá-la - de repente deparo-me com um material manipulativo e me faz ver a beleza e a magia de uma fórmula matemática!"

09/06/2017

Pega-Monstros Pegajosos...


Diversão? Ciência? Descoberta? Sensorial? - vamos então fazer pega-monstros, altamente viscosos e pegajosos...

O que é necessário?
- Cola líquida transparente, 150ml;
- Um copo com 140ml de água fria;
- Um copo com 140ml de água morna;
- Uma colher de sopa de Borato de Sódio (compra-se na farmácia, 1€);
- Um pau para mexer;
- Uma tigela para a mistura;
- Corante alimentar.

Como fazer?
1 - No copo de água morna dissolver bem o borato de sódio.
2 - No copo de água fria, deitar a cola líquida e o corante alimentar. Mexer bem.
3 - Na tigela, juntar tudo. Mexer bem com o pau. Entretanto começa a formar-se o gel! E já está!

Para fazer pega-monstros de várias cores é necessário repetir o processo.

Esta atividade, tal como a plasticina caseira, é excelente para desenvolver a motricidade, a força da mão e do braço. Além de, todo o processo exigir a concentração e participação da criança!

Divirtam-se! ❤❤











02/06/2017

Preparar atividades inspiradas no Método Montessori



A Tânia Correia do blog 3m's tinha uma dúvida: "Ouvimos falar sobre este método, por vezes tentamos aplicar algumas actividades que vemos aqui ou acolá, no entanto poucos são os que conhecem verdadeiramente o que lhe está subjacente. Não me faz sentido aplicar algo só porque me dizem que é “giro e bom”, importa perceber quais são os seus princípios/linhas orientadoras...". Esta questão faz muito sentido, porque recebemos muita informação sobre atividades e ficamos confusas. Afinal, como nos podemos inspirar no método montessori para organizar atividades? Escrevi um texto para o blog 3m's, na tentativa de esclarecer esta questão. Partilho aqui também:


"The first aim of the prepared environment is, as far as it is possible, to render the growing child independent of the adult"  The Secret of Childhood, Maria Montessori


A educação Montessori está orientada para despertar o interesse e permitir à criança uma aprendizagem significativa. É um sistema baseado na escolha de algo em que a criança demonstra interesse. Este interesse natural conduz a uma motivação interior que desenvolve a atenção e a concentração.

A autonomia da criança é a chave para a sua escolha livre. Esta liberdade de escolher o seu próprio trabalho atende à necessidade e à vontade da criança.
Para quem está a iniciar os estudos ou a aplicação do método, pode sentir-se confuso sobre como organizar os materiais e as atividades. Quando planeamos e organizamos materiais (num ambiente preparado) ou atividades, devemos sempre pensar em algumas caraterísticas:

- Sentidos. Os sentidos são agentes de absorção de conceitos. A aprendizagem sensorial assume muita importância em todo o método.

- Ritmo. A criança tem o seu próprio ritmo. Respeitar. Nem sempre a criança consegue desenvolver a atividade a 100%, especialmente das primeiras vezes. Se não conseguiu ou não mostrou interesse, não tem importância.

- Mãos. O órgão que está ao serviço da mente é a mão.

- Erro. Em caso de erro o material deve dar essa resposta, deve ter controle de erro.

- Silêncio. A criança precisa de se focar no material e não nas nossas palavras. Devemos usar o menor número de palavras possíveis

- Organização. É habitual organizar os materiais em tabuleiros. Primeiro, para organizar tudo o que é necessário e dessa forma evitar movimentos e distrações em busca do que falta. Segundo, porque fica tudo preparado na estante de atividades, permanecendo disponível para a criança. Terceiro, fica tudo arrumado no final, no sítio indicado.

- Real. Dentro do possível oferecer à criança materiais e atividades com elementos reais ou naturais. O trabalho torna-se muito mais rico.

- Beleza. O Belo inspira o interesse. Objetos e atividades que encantem a criança tornam-se mais atrativos.

Na hora de preparar os materiais, estas regras básicas, são uma grande ajuda. É essencial observar muito bem. Com a observação conhecemos cada vez melhor a criança e dessa forma cresce a empatia pelas suas necessidades de desenvolvimento. Melhora também, o respeito pelo seu tempo, o respeito pela sua personalidade.

Para a criança não interessa o fim, mas sim o processo. Por isso o conceito de resultado final é muito alargado e vai mudando consoante a idade. Quando a criança trabalha de forma concentrada nas atividades, sente uma grande satisfação.  Este sentimento de conquista conduz a criança numa aprendizagem de descoberta. 

Talvez esta informação ajude na hora de escolher e preparar uma atividade. 
Espreita o blog 3m's, um cantinho cheio de amor!

15/05/2017

Plasticina Caseira


A receita é simples. A trabalheira é imensa. A diversão é garantida. Por várias horas! 

Os ingredientes são:
  • 1 ½   chávena de farinha
  •  ¼chávena de sal
  • 1 colher de sopa de cremor tártaro
  • ½  chávena de água
  • 1 colher de sopa de óleo
  • Corantes alimentares
  • Óleo essencial (opcional para aromatizar)
Seguir os seguintes passos

Passo 1 - Deitar a farinha numa taça. Adicionar o sal e o cremor tártaro. Misturar tudo muito bem.
Passo 2 - Noutra tigela, deitar a água e adicionar o óleo. E o óleo essencial se gostar. utilizei óleo essencial de lavanda.
Passo 3 - Dividi a água do passo 2,  pelos corantes. Neste caso, dividi em cinco taças, para os cinco corantes. Se achar necessário, pode acrescentar um pouco mais de água.
Passo 4 - Envolver a mistura da farinha nos corantes.
Passo 5 - Amassar bem até obter uma textura de plasticina. Para amassar precisa de deitar farinha na superfície onde vai amassar e nas mãos, para não colar.

As fotos ajudam a explicar visualmente o processo.

A plasticina caseira tem um prazo de validade curto. Se guardar num recipiente fechado, dentro do frigorífico dura ainda uns três dias (ou até mais). A cada vez que abre, tem de amassar um pouco, para ter de novo a textura macia.
O sal ajuda a preservar e o cremor tártaro adiciona elasticidade à plasticina. 
Há quem leve esta receita ao fogão e talvez com a ajuda do calor a massa fique ainda mais macia. Mas eu dispenso este passo! ;)








Esta atividade é perfeita para exercitar a força e os movimentos dos braços, pulsos e mãos. É também excelente para trabalhar a concentração e para exercitar a criatividade da criança. 
Os corantes e o cremor tártaro não são propriamente baratos, mas não se gastam todos de uma vez, dão para muitas sessões de plasticina caseira. 
Divirtam-se!

19/04/2017

Os Ritmos da Criança | Montessori



“ Se a criança intenta pentear-se, o adulto, em vez de se encher de admiração por esta maravilhosa tentativa, sente as suas prerrogativas assaltadas, e apenas nota que a criança não se penteia bem, nem depressa, e não conseguirá fazê-lo, enquanto o adulto pode executar isso muito melhor.”

Pausa, para respirar fundo.

É assim que acontece, não é?
Qual é a ação imediata? Tirar (ou arrancar) o pente das mãos da criança.

Pausa, para respirar fundo.
  
O Método Montessori é também conhecido pela expressão “Seguir o ritmo da criança”. É um princípio do método, respeitar os ritmos de cada criança. Parece simples, mas não é. Aliás, exige do adulto uma grande capacidade de auto-regulação. A citação com que iniciei este texto é um exemplo da nossa (in)capacidade de compreender o ritmo da pequena criança. É claro que, conseguimos pentear mais rápido. Há quantos anos andamos neste mundo? Esquecemos que, aquela pequena criança conhece o mundo há “poucos dias”.
O adulto irrita-se com a criança, por causa do seu ritmo, pelos movimentos lentos e desordenados, tão diferentes dos seus. O adulto sente sofrimento por esse ritmo e tenta fugir, substituindo o ritmo da criança pelo seu. Sim, aquele ritmo da criança provoca sofrimento no adulto. E por isso ele foge desse estado de espírito. Ao substituir a criança, passa a sentir-se melhor.

“ Em vez de prestar auxílio às suas necessidades psíquicas mais essenciais, o adulto substitui a criança em todos os atos que esta quer realizar por si, vedando-lhe todos os processos de atividade e constituindo-se no mais poderoso obstáculo contra o desenvolvimento da sua existência.”

O adulto torna-se no maior obstáculo da criança. Quem diria! Só quer ajudar!

“Quem poderia imaginar que esta inútil ajuda dada à criança é a raiz de todas as repressões e, por conseguinte, causa dos perigosíssimos danos que o adulto ocasiona à criança.”



O adulto, ao ver que a criança desenvolve muitos esforços para executar uma ação que acha ser capaz de realizar mais rápido e melhor, sente a tentação de a ajudar e de a interromper. Este é dos maiores danos no desenvolvimento da criança, causados pelo adulto. Esta é uma das grandes causas para manifestações negativas ao longo da vida da criança.

O ritmo do movimento é parte integrante da construção do indivíduo. O adulto, consegue suportar o ritmo acelerado da criança, porque é associado à vivacidade da criança, mas o ritmo lento tende a substituí-lo.

“ O adulto poderia realizar uma espécie de missão: a do inspirador das ações infantis; um livro aberto em que a criança poderia descobrir as diretrizes dos seus próprios movimentos e aprender tudo o que é necessário para os executar bem.”

Para seguir o ritmo da criança é necessário que o adulto seja paciente e calmo. A criança observa todos os seus movimentos. Seguir o ritmo da criança é respeitar os seus movimentos, sejam eles lentos ou rápidos. Interrompê-los, nas suas preciosas ações, é eliminar a sua oportunidade de aprendizagem.



Escrevi este texto para o blog Our Picturing Days, um espaço de partilha muito intimista. A autora do blog, a Vânia, tem muita curiosidade sobre o Método Montessori e trocamos algumas ideias sobre este tema. Talvez as dúvidas da Vânia, sejam também as dúvidas de outras mães e por isso, partilhar conhecimento sobre este método é para mim uma alegria muito grande. Obrigada Vânia pela oportunidade.


·        * Todas as citações foram retiradas do livro A Criança, de Maria Montessori

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