21/06/2017

Educar com o coração


Cristina Tébar é a autora do livro «Montessori en casa – El cambio empieza en tu família», publicado em Portugal com o título «Educar com o coração – Pedagogia Montessori em Casa».

A autora do livro encontrou Montessori, após o nascimento do seu filho. À medida que foi lendo Montessori, apaixonou-se pelo método e começou a integrá-lo, como modelo educativo, no seu estilo de vida. É fácil de perceber porque me identifico totalmente com esta autora. Aconteceu-me a mesma coisa. A partir do momento que conheci o método, comecei a estudá-lo e a aplicá-lo em casa. E esta paixão pelo método é partilhada convosco através deste blogue.💜

O livro é de leitura simples e agradável e é indicado para quem deseja iniciar o método em casa e precisa de se organizar. Para os leitores com mais conhecimento, será uma leitura que vem confirmar e apoiar a certeza de que se trata de uma pedagogia de amor e de educação para a vida. 
Não é um livro com imagens e explicação técnica dos materiais, nem com exemplificação de atividades. São cento e cinquenta e sete páginas inspiradoras.

Vai ficar a perceber o que é Montessori, enquanto pedagogia e como filosofia de vida, ajudando-o a arrumar toda a informação (...).

O conteúdo está dividido em sete capítulos:
  1. Porquê o interesse em Montessori se não sou docente?
  2. Uma visão global de tudo o que abrange Montessori
  3. Existe Montessori fora da escola? E funciona?
  4. Quero aplicar Montessori em casa. Por onde começo?
  5. Dúvidas, hesitações e dificuldades na hora de adotar a filosofia Montessori?
  6. Crie o seu próprio plano de ação
  7. Ideias e inspiração para momentos difíceis
Gostei especialmente do capítulo cinco, porque responde a dúvidas que me colocam regularmente. Por exemplo, se Montessori funciona com todas as crianças.

Um dos temas que mais abordo nos meus textos é o Adulto Preparado. Cristina Tébar, também escreve sobre este tópico que é extremamente importante para quem deseja seguir o método.


O livro foi lançado pela editora verso de kapa. Em boa hora o fez!  
Se estiver interessada em comprar o livro (com desconto 😊), pode fazê-lo por aqui, pelo blog. Basta enviar-me uma mensagem pelo facebook ou através do email nutrichild@gmail.com

Acredito convictamente que Montessori pode existir fora da escola. Talvez não da mesma forma e com algumas dificuldades, mas, sem qualquer dúvida, faz muito sentido integrar a filosofia Montessori não só no nosso projeto educativo, mas também no nosso estilo de vida.

Eu também acredito. Não é de um dia para o outro e não é fácil. É uma escolha. É sobretudo uma transformação do adulto. 💙

09/06/2017

Pega-Monstros Pegajosos...


Diversão? Ciência? Descoberta? Sensorial? - vamos então fazer pega-monstros, altamente viscosos e pegajosos...

O que é necessário?
- Cola líquida transparente, 150ml;
- Um copo com 140ml de água fria;
- Um copo com 140ml de água morna;
- Uma colher de sopa de Borato de Sódio (compra-se na farmácia, 1€);
- Um pau para mexer;
- Uma tigela para a mistura;
- Corante alimentar.

Como fazer?
1 - No copo de água morna dissolver bem o borato de sódio.
2 - No copo de água fria, deitar a cola líquida e o corante alimentar. Mexer bem.
3 - Na tigela, juntar tudo. Mexer bem com o pau. Entretanto começa a formar-se o gel! E já está!

Para fazer pega-monstros de várias cores é necessário repetir o processo.

Esta atividade, tal como a plasticina caseira, é excelente para desenvolver a motricidade, a força da mão e do braço. Além de, todo o processo exigir a concentração e participação da criança!

Divirtam-se! ❤❤











02/06/2017

Preparar atividades inspiradas no Método Montessori



A Tânia Correia do blog 3m's tinha uma dúvida: "Ouvimos falar sobre este método, por vezes tentamos aplicar algumas actividades que vemos aqui ou acolá, no entanto poucos são os que conhecem verdadeiramente o que lhe está subjacente. Não me faz sentido aplicar algo só porque me dizem que é “giro e bom”, importa perceber quais são os seus princípios/linhas orientadoras...". Esta questão faz muito sentido, porque recebemos muita informação sobre atividades e ficamos confusas. Afinal, como nos podemos inspirar no método montessori para organizar atividades? Escrevi um texto para o blog 3m's, na tentativa de esclarecer esta questão. Partilho aqui também:


"The first aim of the prepared environment is, as far as it is possible, to render the growing child independent of the adult"  The Secret of Childhood, Maria Montessori


A educação Montessori está orientada para despertar o interesse e permitir à criança uma aprendizagem significativa. É um sistema baseado na escolha de algo em que a criança demonstra interesse. Este interesse natural conduz a uma motivação interior que desenvolve a atenção e a concentração.

A autonomia da criança é a chave para a sua escolha livre. Esta liberdade de escolher o seu próprio trabalho atende à necessidade e à vontade da criança.
Para quem está a iniciar os estudos ou a aplicação do método, pode sentir-se confuso sobre como organizar os materiais e as atividades. Quando planeamos e organizamos materiais (num ambiente preparado) ou atividades, devemos sempre pensar em algumas caraterísticas:

- Sentidos. Os sentidos são agentes de absorção de conceitos. A aprendizagem sensorial assume muita importância em todo o método.

- Ritmo. A criança tem o seu próprio ritmo. Respeitar. Nem sempre a criança consegue desenvolver a atividade a 100%, especialmente das primeiras vezes. Se não conseguiu ou não mostrou interesse, não tem importância.

- Mãos. O órgão que está ao serviço da mente é a mão.

- Erro. Em caso de erro o material deve dar essa resposta, deve ter controle de erro.

- Silêncio. A criança precisa de se focar no material e não nas nossas palavras. Devemos usar o menor número de palavras possíveis

- Organização. É habitual organizar os materiais em tabuleiros. Primeiro, para organizar tudo o que é necessário e dessa forma evitar movimentos e distrações em busca do que falta. Segundo, porque fica tudo preparado na estante de atividades, permanecendo disponível para a criança. Terceiro, fica tudo arrumado no final, no sítio indicado.

- Real. Dentro do possível oferecer à criança materiais e atividades com elementos reais ou naturais. O trabalho torna-se muito mais rico.

- Beleza. O Belo inspira o interesse. Objetos e atividades que encantem a criança tornam-se mais atrativos.

Na hora de preparar os materiais, estas regras básicas, são uma grande ajuda. É essencial observar muito bem. Com a observação conhecemos cada vez melhor a criança e dessa forma cresce a empatia pelas suas necessidades de desenvolvimento. Melhora também, o respeito pelo seu tempo, o respeito pela sua personalidade.

Para a criança não interessa o fim, mas sim o processo. Por isso o conceito de resultado final é muito alargado e vai mudando consoante a idade. Quando a criança trabalha de forma concentrada nas atividades, sente uma grande satisfação.  Este sentimento de conquista conduz a criança numa aprendizagem de descoberta. 

Talvez esta informação ajude na hora de escolher e preparar uma atividade. 
Espreita o blog 3m's, um cantinho cheio de amor!

15/05/2017

Plasticina Caseira


A receita é simples. A trabalheira é imensa. A diversão é garantida. Por várias horas! 

Os ingredientes são:
  • 1 ½   chávena de farinha
  •  ¼chávena de sal
  • 1 colher de sopa de cremor tártaro
  • ½  chávena de água
  • 1 colher de sopa de óleo
  • Corantes alimentares
  • Óleo essencial (opcional para aromatizar)
Seguir os seguintes passos

Passo 1 - Deitar a farinha numa taça. Adicionar o sal e o cremor tártaro. Misturar tudo muito bem.
Passo 2 - Noutra tigela, deitar a água e adicionar o óleo. E o óleo essencial se gostar. utilizei óleo essencial de lavanda.
Passo 3 - Dividi a água do passo 2,  pelos corantes. Neste caso, dividi em cinco taças, para os cinco corantes. Se achar necessário, pode acrescentar um pouco mais de água.
Passo 4 - Envolver a mistura da farinha nos corantes.
Passo 5 - Amassar bem até obter uma textura de plasticina. Para amassar precisa de deitar farinha na superfície onde vai amassar e nas mãos, para não colar.

As fotos ajudam a explicar visualmente o processo.

A plasticina caseira tem um prazo de validade curto. Se guardar num recipiente fechado, dentro do frigorífico dura ainda uns três dias (ou até mais). A cada vez que abre, tem de amassar um pouco, para ter de novo a textura macia.
O sal ajuda a preservar e o cremor tártaro adiciona elasticidade à plasticina. 
Há quem leve esta receita ao fogão e talvez com a ajuda do calor a massa fique ainda mais macia. Mas eu dispenso este passo! ;)








Esta atividade é perfeita para exercitar a força e os movimentos dos braços, pulsos e mãos. É também excelente para trabalhar a concentração e para exercitar a criatividade da criança. 
Os corantes e o cremor tártaro não são propriamente baratos, mas não se gastam todos de uma vez, dão para muitas sessões de plasticina caseira. 
Divirtam-se!

19/04/2017

Os Ritmos da Criança | Montessori



“ Se a criança intenta pentear-se, o adulto, em vez de se encher de admiração por esta maravilhosa tentativa, sente as suas prerrogativas assaltadas, e apenas nota que a criança não se penteia bem, nem depressa, e não conseguirá fazê-lo, enquanto o adulto pode executar isso muito melhor.”

Pausa, para respirar fundo.

É assim que acontece, não é?
Qual é a ação imediata? Tirar (ou arrancar) o pente das mãos da criança.

Pausa, para respirar fundo.
  
O Método Montessori é também conhecido pela expressão “Seguir o ritmo da criança”. É um princípio do método, respeitar os ritmos de cada criança. Parece simples, mas não é. Aliás, exige do adulto uma grande capacidade de auto-regulação. A citação com que iniciei este texto é um exemplo da nossa (in)capacidade de compreender o ritmo da pequena criança. É claro que, conseguimos pentear mais rápido. Há quantos anos andamos neste mundo? Esquecemos que, aquela pequena criança conhece o mundo há “poucos dias”.
O adulto irrita-se com a criança, por causa do seu ritmo, pelos movimentos lentos e desordenados, tão diferentes dos seus. O adulto sente sofrimento por esse ritmo e tenta fugir, substituindo o ritmo da criança pelo seu. Sim, aquele ritmo da criança provoca sofrimento no adulto. E por isso ele foge desse estado de espírito. Ao substituir a criança, passa a sentir-se melhor.

“ Em vez de prestar auxílio às suas necessidades psíquicas mais essenciais, o adulto substitui a criança em todos os atos que esta quer realizar por si, vedando-lhe todos os processos de atividade e constituindo-se no mais poderoso obstáculo contra o desenvolvimento da sua existência.”

O adulto torna-se no maior obstáculo da criança. Quem diria! Só quer ajudar!

“Quem poderia imaginar que esta inútil ajuda dada à criança é a raiz de todas as repressões e, por conseguinte, causa dos perigosíssimos danos que o adulto ocasiona à criança.”



O adulto, ao ver que a criança desenvolve muitos esforços para executar uma ação que acha ser capaz de realizar mais rápido e melhor, sente a tentação de a ajudar e de a interromper. Este é dos maiores danos no desenvolvimento da criança, causados pelo adulto. Esta é uma das grandes causas para manifestações negativas ao longo da vida da criança.

O ritmo do movimento é parte integrante da construção do indivíduo. O adulto, consegue suportar o ritmo acelerado da criança, porque é associado à vivacidade da criança, mas o ritmo lento tende a substituí-lo.

“ O adulto poderia realizar uma espécie de missão: a do inspirador das ações infantis; um livro aberto em que a criança poderia descobrir as diretrizes dos seus próprios movimentos e aprender tudo o que é necessário para os executar bem.”

Para seguir o ritmo da criança é necessário que o adulto seja paciente e calmo. A criança observa todos os seus movimentos. Seguir o ritmo da criança é respeitar os seus movimentos, sejam eles lentos ou rápidos. Interrompê-los, nas suas preciosas ações, é eliminar a sua oportunidade de aprendizagem.



Escrevi este texto para o blog Our Picturing Days, um espaço de partilha muito intimista. A autora do blog, a Vânia, tem muita curiosidade sobre o Método Montessori e trocamos algumas ideias sobre este tema. Talvez as dúvidas da Vânia, sejam também as dúvidas de outras mães e por isso, partilhar conhecimento sobre este método é para mim uma alegria muito grande. Obrigada Vânia pela oportunidade.


·        * Todas as citações foram retiradas do livro A Criança, de Maria Montessori

20/03/2017

O Embrião Espiritual e a abordagem de Montessori à Amamentação e ao Babywearing


Quando pensamos no Método Montessori, associamos normalmente as imagens dos materiais, e em larga escala a imagem do quarto montessoriano. Mas o método é muito mais do que isso. Neste texto vou abordar três tópicos, pouco falados, sobre Montessori: o Embrião Espiritual, a Amamentação e o Babywearing. A ótica de Maria Montessori sobre estes temas é maravilhosa (tal como todo o método!) e reflete profundamente a busca de uma educação consciente e que respeite as necessidades das crianças.


 “E quem, como nós, se ocupa no sentido de ajudar a vida na educação da criança, não pode deixar de considerar a mesma como um ser vivo, durante o período do crescimento, e deixar de pensar, ou de procurar interpretar, qual é o seu lugar na biologia, isto é, no campo total da vida.”
Mente Absorvente, Maria Montessori
 A análise da origem biológica da criança é uma matéria estudada e abordada por Maria Montessori e é essencial para compreender o valor da vida da criança.
No livro Mente Absorvente, ao longo de três capítulos, Montessori explica a relação entre o Milagre da Criação, a Embriologia e o Embrião Espiritual. Constata que a humanidade conta com dois períodos embrionários: o pré-natal e pós-natal. Sendo que, o período pós-natal é uma fase de vida embriológica construtiva que torna a criança num Embrião Espiritual.
O recém-nascido inicia um trabalho formativo. Devido a este trabalho do ser espiritual, os primeiros cuidados ao recém-nascido, segundo Montessori, deveriam ser concentrados na sua vida psíquica e não apenas à vida física como é o mais habitual.

“Dá-se uma troca entre o indivíduo, ou, melhor, entre o embrião espiritual e o ambiente; por meio dela se forma e se aperfeiçoa o indivíduo. Esta atividade primordial, é análoga às funções da vesícula que, no embrião físico, representa o coração, a qual assegura a troca e a nutrição de todas as partes do corpo do embrião, enquanto se alimenta pelos vasos sanguíneos da mãe, o seu ambiente vital.”
A Criança, Maria Montessori
  
A criança que constitui o Embrião Espiritual, necessita de um ambiente de amor, de acolhimento e tem uma necessidade física, de um ambiente especial – o seio materno.
E sobre a Amamentação, no livro Mente Absorvente, encontramos estas duas frases maravilhosas:

“Observa-se também, em muitos povos, o costume de prolongar o aleitamento: em alguns países por um ano, em alguns outros por um ano e meio, ou até dois, e até mesmo três. Ora, não se trata de uma exigência da criança, pois ela já atingiu, de há muito, a possibilidade de se nutrir com outros alimentos, mas o aleitamento prolongado é razão para a mãe não se separar do filho e também é uma necessidade subconsciente da mãe de dar ao seu filho o auxílio de um completo ambiente social que lhe determine o desenvolvimento.“
“Assim sendo, a nutrição da criança e o amor que unem as duas criaturas solucionam o problema da adaptação ao ambiente de um modo natural. Mãe e filho nada mais são, portanto, do que uma só pessoa.”

Aceitamos esta sabedoria e permanecemos sempre na esperança que o mundo compreenda a importância da amamentação. Talvez, fosse imediato imaginar que o método não referisse este momento tão inicial da vida das crianças. Mas, na verdade, o Embrião Espiritual que se está a formar precisa de um ambiente próximo à mãe. A adaptação da criança ao mundo será mas simples se o ambiente lhe favorecer essa ação.
Montessori, vai mais longe ainda, sobre os cuidados na infância. Babywearing, será a palavra mais atual para descrever o que quer dizer com “…o modo diferente, por exemplo, que se usa para carregar a criança.”
Montessori, no seu livro a Criança, oferece-nos ainda a leitura sobre a maravilha que representa, carregar o filho. Hoje, existem várias formas ergonómicas de carregar a criança. Ter a possibilidade de carregar consigo é uma experiência única. A criança tem a oportunidade de estar sempre em contato direto com mãe. Mas, para além disse tem a oportunidade de ver o mundo.

“Os vários grupos humanos, raças e nações, apresentam- nas outras características; o modo diferente, por exemplo, que se usa para carregar a criança. Trata-se de uma particularidade entre as mais interessantes, ressaltada pelos estudos etnológicos. Geralmente as mães colocam a criança num bercinho ou num saco, mas não a levam ao colo. Em alguns países as crianças são amarradas com laços a um pedaço de madeira que, depois, é colocado sobre os ombros da mãe quando está se dirige ao trabalho. Algumas prendem a criança ao peito, outras às costas e outras ainda as colocam em cestas, porém em cada povo a mãe encontrou o modo para levar com ela o filho.”




“Em muitos países vemos que as crianças não são tratadas tão em contraste com as exigências da natureza como acontece com os ocidentais. Na maior parte dos países a criança acompanha a mãe aonde quer que esta vá, e mãe e filho são como um único corpo. Ao longo do caminho a mãe fala e a criança escuta. A mãe discute com um fornecedor a respeito de preços e a criança está presente, escuta e vê qualquer coisa que a mãe faça. (...) Na verdade, quando uma mãe discute no mercado o preço da fruta percebe-se que os olhos da criança se iluminam devido à intensidade do interesse que a palavra e os gestos provocam nela.”

O mundo é tão rico em imagens, em sons, em texturas que a criança só pode beneficiar dessa variedade de estímulos reais. Essa relação direta potencia o seu desenvolvimento sensorial. E Montessori é isso, é a educação para os sentidos.

“Observa-se também que o pequenino, levado com a mãe, nunca chora a menos que esteja doente ou machucado, adormece algumas vezes, mas não conhece o pranto. Observou-se nas fotografias, tiradas com o objetivo de documentar os hábitos sociais de um país, que em nenhuma delas a criança, que é fotografada ao lado da mãe, está chorando. Entretanto pode-se dizer que o choro das crianças é um problema dos países ocidentais. É muito comum entre nós o lamento dos pais porque o filho chora e o interesse deles em saber como poderão acalmá-lo e fazê-lo parar de chorar.”

Será que o choro das crianças é um problema do mundo ocidental? Será que estas crianças se irritam com mais facilidade? Será que a maior parte das vezes vivem afastadas das suas famílias, da sua mãe e isso as deixa tão angustiadas, que o choro é uma forma de expressão dessa dor?

“Hoje, as respostas de alguns psicólogos é esta: a criança chora e fica agitada, tem crises de choro, de mau humor porque sofre de inércia mental. E estão com razão; ela é mentalmente uma subnutrida, mantida prisioneira num campo limitado e cheio de obstáculos ao exercício de suas faculdades.”

Talvez esta seja a resposta. As crianças são limitadas na sua aprendizagem, porque são afastadas do mundo real, da natureza. Isso constitui um obstáculo ao seu desenvolvimento natural, gerando na criança emoções negativas.
Claramente uma incrível observadora do comportamento humano, Maria Montessori, fez o registo destas observações e partilhou-as com o mundo através da sua obra.
Conhecer o método Montessori, passa também por conhecer esta fase de desenvolvimento, pelo princípio da vida.
O método é um valioso “instrumento” no auxílio à vida, para que esta se desenvolva. Cada criança indica as suas necessidades através de manifestações espontâneas. E se a criança for ajudada segundo as finalidades humanas, terá certamente mais possibilidades de desenvolver as suas potencialidades.

“Se nada auxilia a criança, se o ambiente não foi preparado para a receber, será um ser em contínuo perigo, sob ponto de vista da sua vida psíquica. Está exposta a encontros obstrutores, a lutas pela existência psíquica, inconscientes, mas todavia reais, de consequências fatais para a construção definitiva do indivíduo.”

Olhar para o recém-nascido, para a criança como um ser espiritual, com vida psíquica, ajuda-nos a ser um melhor adulto. Com essa visão vamos tentar preparar um ambiente acolhedor, facilitador do desenvolvimento natural. Montessori não é apenas materiais, que por sua vez, são geniais! Montessori é sobre Vida. É também um método inspirador sobre como podemos ser iluminados no difícil caminho da parentalidade.

Tive muito gosto em escrever este texto para o lindo blog OVO. O blog da Marta é um espaço com muita informação útil sobre os temas da maternidade. Um dos meus textos preferidos do blog é sobre o sistema imunitário das crianças. Espreita o blog, que vale mesmo a pena!

02/03/2017

Função Executiva | Aprendizagem | Comportamento | MONTESSORI


"As crianças determinam as suas ações com base nas leis da natureza, os adultos calcados na reflexão. Para a criança cultivar este poder é necessário que não tenha sempre por perto alguém que lhe diga o que deve fazer em cada instante da sua vida, porque esta determinação provém da possibilidade de ação das forças internas. Se alguém usurpa o trabalho do guia interior, a criança não pode desenvolver nem a determinação nem a concentração." Maria Montessori, Mente Absorvente
O que é a Função Executiva
Foi a pergunta que fiz, quando li o título do capítulo sobre este tema, no livro Montessori, The Science Behind The Genius. Daí iniciei uma pesquisa mais cuidada. Conforme fui lendo sobre o assunto, ficava ainda mais confiante sobre a potencialidade deste método. 

Pensamos, quase sempre, que o conhecimento é a garantia ou a resposta para o sucesso.  Já escrevi sobre isso no texto As pequenas coisas que nos ligam. Qual será o conhecimento necessário, daqui a dez anos, para ser bem sucedido? Alguém saberá a resposta? Então, é o conhecimento que nos vai garantir o caminho do sucesso? Nesse texto, referi que, as crianças mais do que conhecimento e informação, vão necessitar de pensamento criativo, de envolvimento e de vontade.
Pois, será que entra aqui a Função Executiva?

A Função Executiva, contempla várias habilidades cognitivas:
  • controle inibitório (controle de um pensamento ou comportamento)
  • memória de trabalho
  • flexibilidade mental 
  • concentração
Portanto, o termo função executiva,  compreende um conjunto de habilidades cognitivas que  são necessárias para realizar determinados objetivos, por meio de ações, decisões e comportamentos adequados.

Em Montessori, através do ambiente preparado para responder às necessidades das crianças, nos seus diferentes estádios de desenvolvimento, a auto-regulação surge de forma extraordinária. O auto-controle da criança vem de dentro dela. Não é imposto pelo adulto, por ordens externas ou por demais regras.

O auto-controle e a auto-regulação da criança, moderam o seu comportamento. Este equilíbrio  no comportamento liberta a criança, favorecendo a sua função executiva. 

Acho que os dois vídeos que partilho a seguir, ajudam a compreender melhor o conceito de Função Executiva. 






O processo de descoberta é o coração da aprendizagem. E a alegria que provém da aprendizagem significativa é incrivelmente bela. Como aprende o cérebro? Como acontecem as neuroconexões? Não é por memorização de conteúdos, mas sim em contextualização. Não há mistério nisto. 

Compreendemos assim que a Função Executiva tem muita importância na vida criança.
Quanto melhor é a função executiva da criança melhor é o seu desempenho. Lógico. 

Como podemos potenciar a Função Executiva das crianças? 
Criando um ambiente preparado, com adultos que as escutam. 

Um sistema de pressa e de pressão, de castigos e de recompensas, prejudica o desenvolvimento saudável da criança. E assim, toda a sua capacidade de concentração, de controlo inibitório, de memória de trabalho e de flexibilidade mental ficam longe do seu potencial.

"A criança faz as suas aquisições durante os períodos sensíveis, os quais se podem comparar a faróis acessos, iluminando interiormente, ou a um estado elétrico que dá lugar a fenómenos ativos. Esta sensibilidade é que permite à criança pôr-se em contato com o ambiente, de forma intensa. E então tudo é fácil, tudo é entusiasmo, vitalidade. Todo o esforço representa acréscimo de poder." Maria Montessori, A Criança

A Função Executiva é um conceito algo complexo, tal como cada cérebro! Mas, talvez, estudando mais este assunto, conseguíssemos ajudar mais as crianças, ou melhor, os adultos. Podíamos compreender melhor o ritmo de cada criança, respeitando as suas necessidades e os seus interesses. Talvez assim, todas as crianças desenvolvessem o amor por aprender.





28/02/2017

Isto não é uma atividade! É um brinquedo!



- Mãe, quero fazer uma atividade.
- Está bem! Vamos! Tenho ali algo preparado, muito interessante. 
Muito entusiasmada (porque adoro mapas), preparo o ambiente, coloco os objetos e desenrolo o mapa.
- Mãe, isto não é uma atividade! Isto é um brinquedo!
- Oh Filha, é uma atividade super gira. Então, com o mapa e os animais...
- Não, não é. Isto é um brinquedo.

Quando apresentei esta atividade à miúda, ela reagiu desta forma. Como faria ela essa distinção: brinquedos, de materiais montessori e de atividades inspiradas no método? Acredito que, está relacionado com toda a nossa vivência Montessori em casa. 
As pessoas perguntam-me o que é o Método Montessori e porque eu o acho assim (tão) espetacular!😊 E eu nem sempre me consigo explicar bem. Talvez esta passagem possa ser uma resposta.

Para Maria Montessori, os brinquedos constituem algo de inferior na vida da criança e que esta só os escolhe, quando não tem nada melhor. Os brinquedos parecem ser a representação de um ambiente inútil, que não pode conduzir a qualquer concentração do espírito e não representa uma finalidade: é dar objetos ao espírito para que vagueie na ilusão. Os adultos, por sua vez, estão convencidos que estes constituem o universo em que a criança encontra a felicidade. Mas, os brinquedos que oferecemos são criadores de ilusão e de imagens imperfeitas e estéreis.
Ao contrário dos brinquedos, os materiais exigem concentração, transformando-se os pequenos em crianças sossegadas, atraídas pela realidade. A inteligência ávida de conhecer a realidade ambiente, transforma-se em vontade.  A criança cresce e desenvolve-se continuamente com os materiais e esquece a atividade ociosa. 

Ora bem, esta visão pode ir contra o que estamos habituados: que as crianças precisam de brinquedos para se desenvolverem e estimularem a imaginação. Há brinquedos interessantes e que certamente ajudam a estes estímulos. E tudo faz parte. 

Esta passagem em que a miúda disse que o mapa era um brinquedo, fez-me pensar neste assunto. Para mim, não sendo uma material montessori, é um material didático. 

Estivemos um bom tempinho concentradas nesta atividade! A descobrir os países onde vivem alguns familiares e locais por onde passamos. A conversar sobre a origem das pessoas.

Uma das manifestações infantis, a mais saliente, aquela que parece devida a um talismã mágico, que abre as portas para a expansão do carácter normal, é a atividade concentrada num trabalho e exercitando-se sobre um objeto exterior com movimentos das mãos, guiados pela inteligência. A Criança, Maria Montessori

10/02/2017

Matemática Montessori | Barrinhas de Contas



Pequenas contas coloridas, ligadas entre si por um arame.  Para a criança é uma alegria contar, com este material tão atrativo . A criança, inicia com a contagem das contas, uma a uma. Por fim, acaba por reconhecer o número de contas não pela contagem das unidades, mas já pela sua cor: dourado, 10; castanho, 6...







E depois vamos acrescentar mais barras de contas e aprofundar o sistema decimal. 💙

O trabalho íntimo da criança transpira uma espécie de sensibilidade, revelando-se tão sómente quando o adulto não intervém com a sua supervisão e conselhos. Deixemos a criança livre na aplicação das suas habilidades; ela se revelará sensível às conquistas superiores que se hão de seguir. Maria Montessori, Pedagogia Científica




Matemática Montessori | DIY Barras Numéricas


... este método, em que intervém, a todo o instante, o gesto da mão que desloca objetos, fazendo-se, assim, incessantemente, um exercício de educação sensorial... Maria Montessori, Pedagogia Científica

As barras numéricas são uma série de dez barras vermelhas e azuis. É o primeiro material a ser usado para a numeração. A barra mais curta tem 10cm, a mais longa tem 1m de comprimento. Cada segmento de 10cm é colorido, alternadamente, em vermelho e azul.

A vantagem deste material é a apresentação - podem-se apresentar, de forma visualmente distinta, as unidades que compõem cada um dos números que representam. Por exemplo, a barra do 3, corresponde ao número 3 e as 3 unidades distinguem-se através das cores. Desta forma, ultrapassa-se a dificuldade das crianças em compreender a numeração. No início da aprendizagem, muitas crianças contam, falando decorado a sequência natural dos números, mas ficam confusas com as quantidades que lhes correspondem. O espírito concreto da criança exige um apoio preciso e claro.



As barras crescem, gradativamente, em comprimento, de unidade em unidade. Facilitam a ideia relativa do número e das proporções e abrem o caminho para a aprendizagem da aritmética.
Colocando a barra do 1 ao lado da barra de 2, obtém-se um comprimento igual à barra do 3.


E que é esta combinação de quantidades senão a finalidade das operações matemáticas? É ao mesmo tempo um jogo agradável, que consiste em deslocar objetos. E o progresso avança até os limites extremos que a idade infantil permite. Maria Montessori, Pedagogia Científica

Com este material, de forma direta a criança começa a definir a contagem de 1 a 10 e a estabelecer a associação dos números e quantidades.  De forma indireta desenvolve o raciocínio matemático e prepara para o cálculo mental.

Este material é possível de ser um diy! ;)


Precisamos de:
- 2 barrotes de madeira 12mm*18mm, com 240cm de comprimento;
- 1 barrote de madeira 12mm*18mm, com 90cm de comprimento;
Nota: Estas medidas eram as disponíveis na loja. A medida total que é necessário é 550cm;
- tinta vermelha e tinta azul. Apliquei as guaches que já tinha em casa, mas pode ser usada tinta em spray;
- pincéis;
- fita de pintura. Usei fita com 5cm de largura, mas com 10cm torna o processo mais fácil.

Procedimento:
- fazer o corte das 10 barras, desde os 10cm até aos 100cm.
- colocar a fita de pintura. Comecei por pintar em vermelho, por isso coloquei primeiro a fita nos elementos que iriam ser pintados posteriormente em azul.
- passar os pincéis para as mãos dos miúdos e deixá-los pintar!💚 
- quando os elementos vermelhos já estiverem bem secos, é altura de retirar as fitas e repetir o processo para pintar em azul.

E já está!

Com as barras numéricas podem ser feitos vários exercícios, começando até pela brincadeira de medir a altura da criança. Evoluindo  para a contagem, para diferentes somas e por aí adiante.

31/01/2017

Sobre a obediência das crianças


18/01/2017

Leitura e Escrita - Montessori


Tocar as letras no sentido da escrita, é começar a educação muscular que prepara a escrita. 
A criança que olha, reconhece e toca as letras no sentido da escrita, prepara-se simultâneamente para a leitura e para a escrita.
Tocar as letras e olhá-las ao mesmo tempo, é fixar rápidamente a imaginação, graças ao uso de vários sentidos. Os dois exercícios separam-se de seguida: olhar (leitura); tocar (escrita).  
Esta descrição, sobre o método de leitura e escrita espontânea foi partilhada por Montessori, no seu livro Pedagogia Científica. 
Para mim, a mais poética descrição que já li, sobre o método de leitura e escrita de Montessori.
A análise foi feita por um mestre do ensino elementar, Prof. Ferreri, que aplicou o método e escreveu sobre essa experiência.

A leitura e escrita são atividades complexas. Basta relembrar a nossa própria aprendizagem,  que certamente recordamos o esforço que fizemos. Por vezes correu bem, mas muitas vezes era razão de insucesso escolar. Infelizmente, ainda hoje, assistimos a um processo de alfabetização forçado, conduzindo a dificuldades de leitura, de escrita e de compreensão.

Como posso ajudar a criança? Como posso ser a facilitadora do processo de aprendizagem?
Quando comecei a estudar o método montessori, percebi que a forma como era abordada a aprendizagem da leitura e da escrita era diferente. Há uma lógica sensível de continuidade e sobretudo de respeito pela criança.

Esta aprendizagem não começa de um dia para o outro. Existe uma preparação indireta desde o nascimento da criança, onde inicia o período sensível da linguagem, que se estende até aos 6 anos. A evolução é contínua. Tudo o que rodeia a criança é elemento de desenvolvimento da linguagem. 
A um determinado momento, e dependendo da criança e do seu ambiente, surge um interesse natural pela escrita, pelas letras e pela descoberta das palavras e da magia da leitura. O adulto só tem de estar atento. Este "só" ... não é fácil! Aqui reside a essência do adulto preparado, que consegue observar a criança e seguir os seus interesses.  
Qualquer ajuda desnecessária é um obstáculo ao desenvolvimento. Por exemplo: a criança quer desenhar, mas o adulto diz-lhe para desenhar um balão. E de forma entusiasmada o adulto ajuda a criança a desenhar o balão e até lhe dá instruções. Coloca a sua mão, sobre a pequenina mão da criança, que apenas queria desenhar o que a sua imaginação lhe dizia! E desta forma, entre outras, vamos apagando o genuíno interesse da criança. E ainda reforçamos a ideia, de que quando for para a escola, aos seis anos, é que vai aprender a ler e a escrever. O adulto não se apercebe das inúmeras oportunidades de ajudar a criança neste processo. E o que poderia ser feito sem esforço acrescido, é desperdiçado. E este esforço não natural  da criança leva ao seu desânimo, à sua desmotivação.  A aprendizagem faz-se por obrigação. Daqui podemos tirar muitas conclusões sobre o atual estado da aprendizagem das crianças, que tem sido divulgado em estudos, em livros, por especialistas de neurociências e educação infantil.

Os materiais montessori são extraordinários e estão interligados nos seus propósitos. Os cilindros de botão são preciosos para o movimento de junção dos dedos, que se revela mais tarde, essencial para pegar de forma correta no lápis.  Antes da escrita, é necessário trabalhar este movimento e fortalecer os músculos da mão e do pulso. Este trabalho é que vai auxiliar no desenvolvimento do traço e mais tarde da escrita. 
O desenvolvimento da habilidade da mão, acompanha o desenvolvimento da inteligência.

A minha experiência demonstrou-me que se, devido a condições particulares do meio-ambiente, a criança não puder utilizar a mão, o seu caráter permanece num nível inferior; enquanto que a criança que pode trabalhar com as próprias mãos revela um desenvolvimento acentuado e tem força de caráter. Mente Absorvente, Maria Montessori
Segurar e posicionar com segurança um lápis, é um mecanismo muscular intenso e especial, independente da escrita. Mas, ao mesmo tempo este mecanismo é essencial para os movimentos necessários para traças as letras do alfabeto.

Os Encaixes Metálicos, com 10 figuras geométricas são um instrumento para trabalhar o mecanismo muscular da mão e do movimento dos dedos. Um dos primeiros exercícios consiste em contornar com o dedo indicador a figura geométrica. Podemos acrescentar algum mistério ao exercício, ao fazê-lo de olhos fechados.  Num outro momento, a criança desenha com lápis de cor, sobre o papel,  o contorno da figura geométrica. De seguida pode preencher o espaço em branco com linhas. Com o tempo, estas deixam de ser confusas e de traço irregular e vão de bordo a bordo da figura. Quando já faz isto com mestria, é a prova que domina o lápis. Há uma variedade de exercícios que se podem realizar, do mais simples ao mais complexo. Mas todos estes momentos tem um ritmo, o ritmo da cada criança. 


Que lindo! ;)

Mas antes, de iniciarmos o traço das figuras, preparei os cartões de classificação. Este exercício de correspondência da imagem ao objeto e mais tarde (quando sabe ler) à legenda, é  dos que mais gosto de fazer. É uma forma de aquisição de vocabulário muito sensível e verifico que a miúda regista muito bem o vocabulário.




Nos exercícios do mecanismo motor, é necessário desenvolver o movimento contínuo da mão. Utilizam-se as Letras de Lixa, que servem para traçar os sinais gráficos. A criança toca as letras no sentido da escrita. O sinal do alfabeto fixa-se assim duplamente na memória, graças à vista e ao tato.



Neste conjunto de materiais, a criança tem a oportunidade de aprender através da visão e de sensações ao nível do tato. O desenvolvimento motor da escrita, através do traço e do desenho e a sensação tátil, das letras de lixa,  ficam registados na sua memória. E de forma criativa e sem manuais escolares, potenciamos a aprendizagem da escrita e da leitura.
Em nossa casa, não seguimos nenhuma ordem alfabética. Segue-se o interesse da miúda pela letra que escolher. Começamos pelas letras minúsculas de escrita manual cursiva. Para Montessori, este tipo de letra é mais fluída e constante para o movimento de mãos.

Ao mesmo tempo que vamos trabalhando as letras de lixa, são apresentados os sons das letras. 
Há algum tempo a Ana do blogue Fita de Viés, que escreve sobre ensino doméstico (e outros temas interessantes), falou-me no livro o Parque dos Fonemas - Sistema Fonomímico da Dra. Paula Teles. Eu andava à procura de material em português para trabalhar a parte fonética das letras e a Ana comentou que tinha uma boa experiência com este material.  Decidi usá-lo como material didático de complemento ao material montessori que descrevi em cima. E achei curioso ter também uma metodologia multissensorial
A partir do manual, criei os cartões de classificação (dei um toque montessori!).  Através do cd-áudio ouvimos a cantilena do abecedário, fazemos a correspondência do cartão e junto da grafia da letra. Esta grafia no livro, também está em relevo para a criança passar com os dedos seguindo as indicações das setas.




Antes ou a par, podemos trabalhar os traços/grafismos que habitualmente se utilizam no pré-escolar e no primeiro ciclo. 
Como os manuais são menos confortáveis para as crianças pequenas, e como sabemos que a autonomia é um valor imprescindível em Montessori, retirei as folhas de exercícios de grafismo de um manual que me tinham oferecido. Plastifiquei e junto coloquei canetas próprias de escrita em folhas laminadas, que tem uma pequena esponja para apagar a tinta. Em qualquer momento o material está pronto a ser utilizado.



Encontrei, aliás,  a miúda encontrou, no supermercado uns cadernos de grafismos. Gostei, porque as imagens não muito infantis, o caderno é fácil de abrir porque tem argolas, as folhas  são bastantes resistentes e ainda traz uma caneta presa com elástico. Portanto, mais uma vez, é um material que permite total autonomia. 




Apresento uma outra sugestão:  Cortei um tipo de grafismo,  num papel adesivo que imita o quadro de giz. Colei numa folha plástica. Preparei um tabuleiro com todo o material necessário: giz, esponja e água. 
Este também é um bom exercício. Exige o movimento de apertar a esponja para retirar o excesso de água. Exige cuidado não verter água, etc.


Falta referir outro material montessori - o alfabeto móvel. Será abordado num futuro próximo!

A nossa experiência não nos leva a diminuir a importância do ambiente, na construção do espírito. É sabido que a nossa Pedagogia lhe confere tão grande importância que o faz fulcro central de toda a construção pedagógica. Convém observar que as sensações são por nós consideradas de uma maneira tão sistemática e fundamental como se não faz em qualquer outro método de educaçao. Existe, contudo, uma diferença essencial entre o velho conceito da criança passiva e a realidade: é a existência da sensibilidade interior da criança. Há um período sensível muito prolongado, que dura quase até à idade de cinco anos e torna a criança capaz de se apropriar das imagens do ambiente, de uma maneira extraordináriamente prodigiosa. A criança é um observador que regista ativamente as imagens, por intermédio dos sentidos, o que é diferente recebê-las como se fosse um espelho. A criança, Maria Montessori 

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