24/07/2018

Para além daquela linha | A criança antes e depois dos 6 anos



A nossa caminhada Montessori tem sido mágica. Muitos desses momentos, mágicos, têm sido partilhados aqui no blog. Também graças a este percurso, encontrei pessoas que se renderam ao método. Uma dessas pessoas foi a Filipa. Eu vi o brilho nos seus olhos (e nunca mais esqueci), quando nos cruzamos num dos encontros Viver Montessori. A Filipa é Professora do 1ºCiclo e Assistente Montessori dos 6 aos 12 anos. A Filipa Mãe, em casa, segue com os princípios Montessori com toda a sua paixão pelo método. Convidei-a para escrever sobre esta nova fase em que o blog vai entrar. Assim, com o seu texto esclarecedor, abrimos (ansiosamente) a nossa nova etapa. 💞


💜
Fui desafiada pela Diana a escrever sobre o Método Montessori dos 6 aos 12 anos, uma vez que o Blog irá entrar nesta nova fase. Considerei pertinente abordar as principais diferenças em relação à fase anterior dos 0 aos 6 anos, pois assim será possível compreender o que vai mudar no comportamento da criança e o que podemos nós, adultos, fazer para a ajudar a seguir o seu percurso da melhor forma possível.

✓ Planos de Desenvolvimento
Maria Montessori através da observação, verificou que existem quatro planos de desenvolvimento:

1.º Plano
2.º Plano
3.º Plano
4.º Plano
0-6 anos
6-12 anos
12-18 anos
18-24 anos

 Estas idades são apenas indicativas, pois cada criança é única e tem as suas próprias características.

Em cada período redescobrimos um ser em crescimento, o qual apresenta características muito diferentes das suas etapas precedentes
Maria Montessori
 Da Infância à Adolescência


✓ Diferenças entre o 1.º Plano e o 2.º Plano
Mente
Até aos 6 anos, a criança tem uma mente absorvente, ou seja, absorve todos os elementos do seu ambiente. A partir dessa idade, começa a ter uma mente racional. Interessa-se em compreender o mundo e em conhecer o Universo. Questiona o como e o porquê das coisas, nascendo a consciência da causa/efeito.

Trabalho
Até aos 6 anos, a criança tem tendência a trabalhar individualmente, enquanto a partir dessa idade, trabalha em grupo. Desenvolve o seu ser social e a sua atenção está em como funciona a sociedade, por isso junta-se em grupos e inventa as suas próprias regras e códigos para praticar o que é uma sociedade.

Conhecimento
Antes do 6 anos, a criança descobre o seu pequeno mundo. Os exercícios de vida prática ajudam-na a ganhar a sua independência. A partir dessa idade, a criança precisa de conhecer o Universo. O sensorial dá lugar ao abstrato e o espaço que antes era suficiente ao seu desenvolvimento torna-se limitado às experiências sociais que ele necessita, sendo por isso fundamental que faça saídas ao exterior.

Auto-Construção
Até aos 6 anos, a criança constrói-se a si mesma, descobrindo as suas habilidades físicas (manipulação de objetos, correr, saltar, erguer-se, etc.). A partir dessa idade constrói o seu Ser moral. Começa a perceber o sentido de justiça, a distinguir o bem e o mal, tornando-se cada vez mais um Ser consciente.

Imaginação
Até aos 6 anos, o que a criança imagina é uma representação de algo que já viu antes - imaginação reprodutiva. Após essa idade, a sua imaginação torna-se criativa, fazendo ela própria as suas representações, mesmo que nunca as tenha visto.

Resumo
0-6 anos
6-12 anos
Mente absorvente
Mente racional
Trabalho individual
Trabalho em grupo
“Dar o pequeno Mundo”
“Dar o Universo”
Construção do Indivíduo
Construção do Ser Moral
Imaginação Reprodutiva
Imaginação criativa
“Ajuda-me a fazer por mim mesmo”
“Ajuda-me a pensar por mim mesmo”
Vida prática
Saídas
  
“Assim como é necessário ajudar o bebé a dar os seus primeiros passos, também é necessário ajudar a criança a dar os seus primeiros passos no mundo da abstração.”
Maria Montessori 
Da Infância à Adolescência



O Papel do Adulto
Ao conhecer as características das crianças nos Planos em que se encontram, conseguimos compreendê-las e ajudá-las a encontrar e satisfazer os seus interesses. Muitas das barreiras que existem surgem pela falta de sensibilidade e conhecimento por parte do adulto, daí o Método de Maria Montessori referir que é muito importante o Adulto Preparado. Destaco algumas atitudes que o adulto pode tomar:

     Permitir que as crianças trabalhem em grupo - é bom sinal e é normal que haja muito ruído e barulho!

     Permitir que a criança aumente o seu campo de ação e que tenha experiências diretas com a vida em sociedade, levando a criança a conhecer o mundo fora de casa/sala de aula.

     Apelar à imaginação da criança, dando imagens com pouca informação e muito simples, para não a influenciar. Contrariamente ao que normalmente se faz, dando imagens cheias de conteúdo que limitam a sua possibilidade criativa.

 Criar em conjunto com a criança as regras de casa e da escola, estabelecendo limites e consequências muito claras e lógicas.

     Educar pelo exemplo.

Se neste período a mente não conseguir satisfazer as suas necessidades vitais nos momentos propícios, será mais difícil fazer essas mesmas aquisições mais tarde. A mente da criança é como um solo fértil que acolhe o que mais tarde germinará.

Ajuda-me a pensar por mim mesmo.
Maria Montessori

06/07/2018

Resgatar o Ciclo


O documentário vencedor do prémio para Melhor Documentáro no California Women's Festival 2018 -Tampão, o nosso inimigo mais íntimo - tem gerado discussões pertinentes sobre o tema da saúde feminina. Numa dessas conversas, no grupo Viver Montessori, a Joana Portugal que escreve na página @maeforadaagua partilhou informação valiosa. Fiz-lhe o convite para escrever tudo o que sabe sobre saúde e higiene feminina. Ao longo do seu texto, vão certamente esclarecer muitas dúvidas.


💚

A Diana pediu-me para compilar um pouco do meu conhecimento sobre este tema tão importante para todas as mulheres e eu assim o tentei fazer. Eu sou bióloga de formação e por isso as questões fisiológicas são muito naturais para mim. Além disso a minha preocupação ambiental fez-me muito cedo começar a procurar soluções para minimizar o meu impacto no planeta. Na altura em que comecei a minha investigação na área das alterações climáticas uma das coisas que estudávamos nos peixes (além do efeito dos micro-plásticos e das alterações ambientais) era o efeito de fármacos (antidepressivos e hormonas sintéticas) na sua biologia. Fiquei horrorizada quando percebi que a pílula que todas tomávamos ia parar aos oceanos (através da nossa urina) e tinha efeitos tremendos na reprodução de diversas espécies. Isso e o historial familiar de cancro da mama fez-me querer deixar a pílula imediatamente e encontrar uma solução mais natural e ecológica. E assim começou o meu lento caminho nestas questões da saúde feminina.

Para mim, a educação em saúde feminina deveria começar bem antes de nos tornarmos mulheres, de termos de lidar com as mudanças do nosso corpo, com a menstruação, com o sexo, com tudo o que é ser MULHER na nossa sociedade. Deveria começar quando a criança começa a descobrir o próprio corpo, a olhar o corpo dos que estão à sua volta, começa a questionar de onde vêm os bebés, porque a mãe sangra do pipi… A actual desinformação do que é ser mulher começa com o que não é ensinado às meninas sobre respeito do próprio corpo, sobre anatomia feminina, sobre sexualidade, sobre a nossa ciclicidade… Começa com a perda de saberes seculares que eram passados de mães para filhas, com a nossa desconexão da natureza e dos seus ciclos. Acredito que esta desinformação generalizada sobre a saúde feminina vem da fraca educação “sexual” que temos hoje em dia, do tabú que se sente em relação a tantos temas como a masturbação infantil, a menstruação, o prazer feminino e por aí fora. Por isso acredito ser tão importante recuperar este conhecimento e o passarmos às nossas filhas, quebrando o ciclo de reproduzir comportamentos sem os questionarmos. Em baixo deixo algumas sugestões de recursos interessantes para crianças e adolescentes. 

A nossa sociedade tem evoluído a um ritmo alucinante e o aparecimento da pílula foi um marco importantíssimo para a “libertação” das mulheres. Podermos assumir controlo sobre a nossa fertilidade é de facto uma coisa maravilhosa e tanto contribuiu para a mudança do papel da mulher na sociedade. A realidade é que hoje em dia é raro encontrar uma mulher em idade fértil que não tome a pílula (ou qualquer outro dispositivo hormonal: anel vaginal, DIU hormonal, adesivo, implante…). Seja através do recurso a estrogénio ou progesterona sintética estes métodos param o nosso “relógio hormonal interno” e basicamente fazem com que a mulher pause a sua fertilidade (inibem a ovulação, logo a gravidez não é possível). 
Não me vou alongar sobre o que são hormonas ou como elas atuam sobre o sistema reprodutivo feminino, porque penso que é a parte da informação que a educação fornece atualmente. Vou apenas referir que estas hormonas sintéticas que tomamos para pausar a nossa fertilidade, causam a paragem do nosso ciclo hormonal, da nossa menstruação (o sangue que se perde na semana de pausa da pilula é uma hemorragia de privação hormonal, não é menstruação), com consequências a diversos níveis. Sei que muitas vezes se recorrem a estes métodos hormonais para “tratar” outros problemas (ciclos “irregulares”, quistos nos ovários/mamas, acne, dores menstruais…) e que eles são prescritos por médicos da nossa confiança desde cedo e são tidos como coisas banais, com efeitos secundários “mínimos” em comparação aos benefícios. Em relação a isto não me quero alongar, porque tomar ou não a pílula é uma opção pessoal e se for uma decisão informada é tão válida como outra qualquer. 

Deixo apenas apenas duas notas: 
⏩Ao parar a tomar da pílula estas condições reaparecem todas, já que as hormonas não tratam, apenas escondem os sinais de condições (ou desequilíbrios) que existem em nós. 
⏩Ciclos “irregulares” são a exceção, não a regra. As mulheres não são relógios e naturalmente quase ninguém tem ciclos certinhos de 28 dias, com ovulação no dia 14. Ter variações de 2,3… 5 dias nos nossos ciclos é perfeitamente normal e prende-se com o facto de a nossa fase pré-ovulatória (folicular) ser muito influenciada por fatores externos (stress, doença, medicamentos…), já que o nosso corpo quer garantir que estamos no nosso melhor para a libertação do óvulo. Deixo abaixo um link onde podem perceber melhor isto.

Acredito que é importante resgatarmos a informação ancestral que está gravada no nosso DNS, esta ciclicidade natural que se prende com o nosso ciclo hormonal e que a nossa sociedade tão pouco espaço deixa para ouvir. Todos nós conhecemos o tão temida TPM e muitas piadas se dizem sobre o quão “insuportáveis” as mulheres ficam naquela altura. A verdade é que cada fase do nosso ciclo menstrual tem características diferentes e estarmos conectados com o nosso corpo, pode levar-nos a uma maior compreensão dessas características e ao potenciar de cada fase. 
O nosso ciclo menstrual divide-se em 4 fases, cada uma delas com a duração de cerca de 1 semana e cada fase tem uma energia associada bastante diferente:
        ✓Fase menstrual – Energia muito baixa, introversão, recolhimento, renovação
        ✓Fase pré-ovulatória – Energia mais expansiva, início da fase fértil, vitalidade, ligeireza
        ✓Fase ovulatória – Energia mais extrovertida, fertilidade, vontade de relacionar, produtividade
        ✓Fase pré-menstrual – Energia baixa, reflecção, sensibilidade emocional, infertilidade

Quando estamos conectadas connosco, livres das máscaras hormonais e nos permitimos ouvir o nosso corpo, esta ligação com a nossa ciclicidade faz todo o sentido. De facto, a nossa força anímica varia ao longo do mês, a nossa produtividade, o nosso desejo sexual, a nossa vontade de sociabilizar, a nossa clareza mental… ir reconhecendo esta ciclicidade interna, para dela podermos tirar o máximo partido pode de facto ser muito libertador (escolher uma altura mais favorável para fazermos uma apresentação no trabalho, para um fim de semana romântico ou para um retiro de yoga, por exemplo). 
Esta ciclicidade interna está muito ligada à ciclicidade da natureza, aos ciclos da lua, às estações do ano e varia com as diferentes fases da nossa vida (infância/adolescência/idade fértil/ menopausa). E é o seu conhecimento que nos permite termos um controlo natural sobre a nossa fertilidade, sem termos de recorrer a métodos hormonais. Não me alongando muito, os ditos métodos “contracetivos naturais” baseiam-se na identificação dos cerca de 6-8 dias por mês em que a mulher está fértil e onde de facto precisa de evitar uma gravidez (através do uso de preservativo ou abstinência ou …). 
O conhecimento das alterações no nosso corpo ao longo do ciclo, no nosso muco vaginal, na nossa temperatura basal, faz da identificação destes dias algo bastante preciso. São métodos com uma taxa de eficácia comprovada acima dos 96% e uma opção não hormonal para evitar uma gravidez (mas que requerem um autoconhecimento e empenhamento diário na identificação de diferentes sinais, que podem não apelativos a muitas pessoas). Deixo abaixo algumas fontes onde podem saber mais sobre o assunto.

Para terminar este assunto gostaria ainda de falar da higiene feminina. Algo que também tem sido negligenciado e que nos leva a ter como “standart” o uso de pensos higiénicos e tampões. Além das questões ambientais relacionadas com o uso de produtos descartáveis, que para mim foram uma das motivações iniciais, há as questões de saúde associadas a estes produtos. Os pensos higiénicos que usamos normalmente são lixiviados e carregados de substâncias toxicas (pesticidas, ftalatos e afins) que em contacto com a delicada mucosa vaginal levam a um aumento da incidência de infeções. Os tampões além destes mesmos problemas – não há obrigação de informação ao consumidor dos componentes destes produtos - podem levar a uma reação grave que é a Síndrome de Choque Tóxico. Esta síndrome é causada pela proliferação dos estafilococos dourado no interior da mulher, o que leva a uma infeção grave e pode mesmo conduzir à morte. A presença ou não desta bactéria é variável de mulher para mulher, mas é relativamente comum. No entanto, o uso de tampão leva a um processo oxidativo do sangue no nosso interior, criando um meio muito favorável para o crescimento desta bactéria. 
E então o que fazemos?

  • usar pensos biológicos (minimizando a exposição do nosso corpo a toxinas nefasta);
  • usar pensos reutilizáveis;
  • minimizar o uso de tampões ao estritamente necessário (usando sempre biológicos pelos motivos apontados);
  • usar o copo menstrual (tendo em atenção que a questão de oxidação do sangue se mantém, apesar de minimizada, logo é preciso cuidados de higiene redobrados: mãos sempre limpas, copo esterilizados todos os dias... e não abusar do número de horas consecutivas de uso). 


Por fim, deixo a ressalva para que evitem o uso de produtos de higiene íntima, apesar de a sociedade nos querer passar esta imagem de que a vagina é uma coisa “suja” – basta olhar para o tamanho dos corredores de produtos de higiene íntima feminina vs os de higiene íntima masculina- e de que o sangue, deve ser “escondido” a todo o custo – porque é que os líquidos dos anúncios de pensos higiénicos são sempre azuis? – não há nada de errado com o nosso cheiro (salvo em caso de infeções) ou com a nossa menstruação. A higiene com um sabão natural (de pH neutro) é perfeitamente suficiente para a nossa vagina. O uso de óleo de cocô pode ajudar na lubrificação/hidratação da mesma e prevenir o aparecimento de infeções, mas mais do que isso não haverá necessidade em vaginas saudáveis.

Este texto resume a minha visão atual em relação à saúde feminina. Não pretendo apregoar nada, apenas apresentar uma visão informada e abrangente deste assunto. Espero que vos faça questionar alguma da informação que temos como certa desde meninas e tomar uma decisão informada sobre o que faz mais sentido para vocês, de acordo com o vosso historial clínico, fase da vida e nível de investimento que estão dispostas a fazer na vossa saúde feminina.

Recursos
-Hemorragia Privação

- Ciclos irregulares

- Ciclicidade

-Métodos Fertilidade Natural

-Copos Menstruais

-Tampões

-Livros infantis/adolescência
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- Lojas online

26/04/2018

Encontro Viver Montessori | 14-04-18

O Mundo Somos Nós - Vila Verde


10/03/2018

Pintar ovos com tintas naturais



Sem grande dificuldade, e usando ingredientes naturais,  é possível criar uma atividade gira. Precisamos apenas de ovos,  folhinhas de ervas, elásticos ou fio e collants finas.
Como corantes naturais usamos açafrão em pó, couve-rouxa e casca de cebola. Esta última não resultou muito bem, porque a cor natural da casca dos nossos ovos já era próxima à cor da casca de cebola. Neste caso, resulta bem, quando são ovos mais claros. 

As crianças adoram colher flores e folhas. Essa é a primeira tarefa.

Para preparar os ovos, colocamos as folhinhas a gosto. Para as folhas se colarem à casca do ovo, é melhor deitar uma pequena gota de água com um pincel. Cortar a meia para fazer uma espécie de saquinho (como se vê na última imagem)  e embrulhar o ovo. Tem que se ter alguma delicadeza e paciência, porque as folhas podem sair.

Numa panela, leva-se ao lume as cascas da cebola com água e sal. O mesmo processo para a couve-rouxa (usei uma couve com 1kg aproximadamente). Outra panela com açafrão, e como queria uma cor intensa juntei 3 colheres de sopa de açafrão. 

Levar as panelas ao lume. Neste momento juntei os ovos a cozer, mas pode-se cozer os ovos à parte e colocar nos corantes depois. 
Libertar ao lume as cores, por 12 minutos. Retirar e deixar arrefecer um pouco. Coar a água das cascas,  e de seguida deitar 2 colheres de sopa de vinagre.  

Deixar os ovos em cada corante durante algum tempo. A tonalidade das cores finais, varia de acordo com a cor da casca, e com o tempo em que os ovos permanecem dentro do  recipiente do corante.

Esta atividade envolve vários passos e muita perícia. Todo o processo é rico de aprendizagem. No final, ver as cores que resultaram e os feitios das folhas, é lindo! 





07/03/2018

Encontro Viver Montessori | 24-03-18


Março 
24 de Março (sábado)  - 15H às 18H - Matosinhos

05/03/2018

Os Ovos | Vida Prática




cuidado com os ovos, não os partas…
não faças omelete…

Quer seja a pegar, a partir, a descascar ou a cortar um qualquer alimento é necessária muita atenção e delicadeza. A criança usa os olhos para focar a atenção e as mãos para executar a tarefa.

Os exercícios da vida prática envolvem várias habilidades:
  • desenvolvimento da motricidade fina
  • coordenação olho-mão
  • capacidade de controlar a pressão exercida
  • destreza manual
  • velocidade e o controle dos movimentos

Numa primeira decisão, evitamos que a criança pegue nos ovos. Estes são muito frágeis e partem-se com facilidade. Mas, por este motivo, é que poderíamos deixar as crianças pegar nos ovos.

A característica que mais observo neste trabalho é a delicadeza. O facto de ser um alimento tão sensível, faz com que a criança interiorize essa necessidade de ter cuidado, de pegar com delicadeza e de se concentrar nesse movimento.
Nas primeiras vezes, a criança vai partir alguns ovos, até o seu próprio controle de erro interior, começar a definir os ajustamentos que precisa de fazer.
Devido às diferentes texturas, camadas, estado líquido e sólido, a criança utiliza os sentidos e vai reconhecendo os diferentes elementos, tornando-se uma atividade sensorial intensa.


É lindo dar a oportunidade e abrandar o ritmo (do adulto) para simplesmente observar o momento e a mestria da criança.


Na cozinha temos muitas oportunidades de desenvolvimento e de aprendizagem - sentidos, linguagem, cultura, história, geografia, matemática, ciência - que de forma indireta potenciam a aprendizagem global.

03/03/2018

Fluffy Slime | Massa Fofinha


Tal como a plasticina caseira e a massa viscosa dos pega-monstros, esta slime é mais um momento recheado de entusiasmo.

Vale a pena preparar estas atividades com as crianças, não só pela diversão, mas essencialmente pela emoção deles ao fazerem estas misturas! 
É maravilhoso ver nas crianças, aquele olhar de total interesse e de curiosidade.💛 

Precisamos de
  • Cola Branca - 1 chávena
  • Espuma de barbear - 3 ou 4 chávenas
  • Borato de Sódio - 1 colher de sopa
  • Bicabornato de sódio - 1 colher de chá
  • Água morna - 1 chávena
  • Água fria - 1 chávena
  • Corantes alimentares
  • Recipientes, espátula, colheres.
Também se consegue fazer a slime sem o borato, mas não fica tão elástica. Apesar de dar uma consistência diferente, outra opção ao borato de sódio, é soro fisiológico. 

Como fazer?
Passo 1Dissolver bem o borato de sódio no copo de água morna. Reservar.
Passo 2 - Deitar a cola no recipiente e adicionar a água fria. Mexer bem.
Passo 3 - Adicionar o bicabornato de sódio e continuar a mexer.
Passo 4 - Acrescentar a espuma de barbear e misturar.
Passo 5 - Acrescentar gotas do corante . Envolver tudo muito bem. A consistência fica macia, mas ainda não está moldável.
Passo 6 - Deitar o borato de sódio na massa, aos poucos. Misturar bem, entre cada colher. Se a massa continuar pegajosa, adicionar mais um pouco da mistura do borato de sódio. 
Passo 7 - Quando a massa deixar de colar nas paredes do recipiente, e sem colar nos dedos e já estiver moldável, está pronta!  Fica com uma consistência viscosa e macia!

Para cores diferentes, repete-se o processo. Utilizamos dois corantes - vermelho e verde.

A brincar, está presente ciência, observação, concentração e trabalho de motricidade. 

Divirtam-se! ❤❤







26/02/2018

Educar para a Paz

21/02/2018

O sentido da vida

O SENTIDO DA VIDA - GIOVANE BRISOTTO from JumpCut on Vimeo.

Ouvi uma conversa, em que uma criança estaria proibida de brincar na casinha de brincar. Essa criança teria feito algo de "errado" ou teria tido algum comportamento desadequado. Esta classificação depende sempre, claro, do momento, do adulto nesse momento, da dimensão do problema, da intensidade do poder, da gravidade das consequências...

Existe uma cultura orientada para a punição. Existe uma cultura educativa orientada para o castigo. Também se pode descrever com palavras mais amenas, para aliviar,  como a palavra consequência. Será uma questão de vocabulário. Depende das circunstâncias.

A questão é - qual é o sentido da vida?
O sentido da vida?

De que forma uma educação orientada para a punição se relaciona com o sentido da vida?
E se colocar a questão de outra maneira - O que realmente importa na vida?
Ou se colocar a questão assim - De que forma uma educação orientada para o que realmente importa na vida, se relaciona com o sentido da vida?

Brincar é um direito da criança. Não é retirando o seu espaço de brincadeira que lhe vai dar sentido à vida, nem tão pouco a vai educar para a paz. Vai apenas, mostrar-lhe que, quando alguém se porta menos bem, a solução é punir. 
Observei a raiva da criança. Enquanto as outras crianças brincavam nesse espaço, ela dava voltas desorientadas, procurando qualquer coisa onde se pudesse libertar. As emoções estavam lá. E vão estar todo o dia, e mais "asneiras" vão acontecer.

Podemos comprar um pacote de sessões de "como gerir as emoções". Faz bem. É uma possibilidade. Podemos também, tentar libertar-nos de uma educação baseada na punição. Talvez esta solução seja um sentido para a vida. Talvez seja a solução, para uma vida com sentido. Talvez seja a solução, para mais amor, mais afeto e mais empatia pelas emoções das crianças. É um bom sentido para a vida.
Também é um bom sentido usar palavras amorosas para colocar limites e modelar comportamentos. Sabemos que as crianças imitam os adultos. 

Naquele dia em que ouvi as palavras das crianças, estava sempre a lembrar-me disso. Não conseguia esquecer o olhar daquela criança. Não conseguia esquecer, que as outras crianças que lá estavam, cumpriam aquela punição, não deixando a amiga brincar naquele espaço. Cumpriam as ordens. Qual o sentido da vida?

Li o artigo sobre o falecimento de Giovane De Sena Brisotto, protagonista do documentário "O Sentido da Vida", do realizador Miguel Gonçalves Mendes. O filme retrata Giovane,  na sua viagem de mais de 50 mil quilómetros pelo mundo, por sítios onde a sua doença, possa ter tido incidência.

«O Giovane de Sena Brisotto deixara de sentir os pés, começara já a andar um pouco esquisito, meio esquecendo as pernas, como se houvesse uma hesitação em cada passo. A paramiloidose, descobríamos todos, subia. Ascendia por seu corpo igual a sombra levantada do chão. »Valter Hugo Mãe

De um momento para o outro, perdemos a vida. Convém lembrar que, só temos uma vida e uma infância. E esta é o princípio de tudo.

15/02/2018

Atira tudo para o chão! As 1001 Estratégias dos Pais


Todas as crianças pequenas atiram coisas para o chão. (ponto) Gritam e choram. (ponto)

Portanto, o que temos de fazer? 
a) Vamos dizer que se portam mal;
b) Vamos pensar que estão a fazer de propósito para nos irritar;
c) Vamos acreditar que demos demasiado mimo e agora estão insuportáveis;
d) Vamos procurar estratégias, para nos ajudar nesses momentos.

Resposta d) vamos procurar estratégias.

Esta questão foi colocada, e muito bem, no grupo Viver Montessori. Algumas mães partilharam a forma como lidam com estes momentos. Organizei as ideias e aqui estão as estratégias:

1. A primeira coisa é tentar distrair a mente dessas emoções para outro coisa: em vez de repetir pode ser outra coisa, tentar já viste os pássaros que voaram ali? Ou algo que sabe que gosta
falar com ele, apesar de ele não ter um diálogo comigo. Digo-lhe que assim não compreendo o que se passa e que estou aqui para o ajudar e para o compreender. Muitas vezes isto acalma, por mais estranho que possa parecer ter esta abordagem com um bebé. E o que faço várias vezes também, é chamar a atenção para outra coisa. Ou canto uma música, ou falo de outra coisa qualquer para que ele se desligue dessa situação que o está a deixar frustrado e acaba por passar.

2. Converso com muita calma mostro outras coisas que possam despertar interesse, é preciso ter paciência, estão crescer... é um processo de maturidade que está a desenvolver... ponho em palavras a dificuldade que ele está a ter. "Não estás a conseguir encaixar esta peça" depois o sentimento "estás a ficar frustrado com isso" e depois pergunto se quer tentar outra vez ou se quer a minha ajuda. Quando não quer tentar outra vez ou não quer que eu ajude, sugiro outra coisa.

3. Coloco-me à altura dele, dou abraços, valido o que está a sentir, explico-lhe tudo. Uma estratégia que tem funcionado muito bem é dizer: "ouve-me". Ele pára de chorar e realmente ouve-me. Tivemos uma fase assim há algumas semanas atrás. Coincidência ou não, acontece sempre antes de um período mais sensível de desenvolvimento. Eu sei que te custa mas breve breve vais ultrapassar. Eu estou aqui caso queiras ajuda. E pergunto directo: queres que a mama ajude? Às vezes diz sim outras diz não e continua a frustração. E eu volto a repetir: estou aqui se precisares. 

4.Uso estratégias diferentes para situações diferentes, com as frustrações com brinquedos/materiais normalmente tento entrar na brincadeira dele e ajudá-lo, se ele permitir, ou seja, se se acalmar (tenho dúvidas se esta solução vai ao encontro de Montessori, mas resulta e por vezes até ele conseguir superar o desafio acaba por ser ele a ir buscar esse mesmo brinquedo durante alguns dias seguidos para brincarmos juntos, depois esquece esse brinquedo e passado algum tempo já o consegue sozinho). Quando são inseguranças em relação a espaços novos ou pessoas aí sim é colo e aconchego e tempo para que se adapte. Noutras situações já começa a funcionar a conversa com calma...

5. O meu filho, descobri agora, que se acalma quase instantaneamente com um colar de contas. Reforço positivo também costuma ajudar, explicando que quando ficamos irritados e frustrados devemos fazer uma pausa e depois retomamos e tentamos até conseguirmos. Quanto ao irritar-se por não fazerem o que ela quer, depende, e aqui vale muito a negociação. 

6. A minha estratégia era aguardar com silêncio e juntar-me a ela. Ficava assim uns minutinhos. Resultava na maioria das vezes. Em situações mais "nervosas" ouvia... não fui muito de intervir com explicações, até porque às vezes tinha dificuldade em descodificar a mensagem dela. Mas acredito que o estar ali, não fazer mais ruído, resultava. Por vezes se são situações repetidas, talvez se consiga encontrar o padrão e aí antever a frustração.


As crianças atiram. Seguir um modelo de parentalidade respeitador como Montessori, não é um seguro de eliminação dos comportamentos "menos bons" da criança. Seguir este modelo é um seguro pessoal, que nos permite compreender melhor o comportamento da criança e saber responder melhor às suas necessidades.

As reacções infantis representam um estado inconsciente de defesa da criança, cuja inteligência não consegue determinar a verdadeira causa, nas suas relações com o adulto. Maria Montessori, The Secret of childhood

Quando é que as crianças deixam de atirar para o chão? 
a) quando lhes apetece;
b) quando querem receber um presente;
c) quando a sua linguagem brota e são capazes de comunicar com palavras.

Resposta c) quando a sua linguagem brota e são capazes de comunicar com palavras.

Até lá, temos de esperar. Calma e paciência são testadas ao limite. Mas é só isso. Não vieram ao mundo para nos irritar. As crianças vieram ao mundo para ser os nossos mestres. 
A criança que atira para o chão está a usar um meio de comunicação, a sua forma de expressão. É difícil entender o que quer dizer, afinal aquele brinquedo é tão giro, a comida está tão deliciosa, o prato acabou de ser colocado na mesa...
Se nesses momentos gritamos, ameaçamos, etc, o que também lhes estamos a comunicar? Que também não sabemos comunicar.  Quando alguém nos grita, o que pensamos dessa pessoa? (não digam, sintam). É isto. Senso comum.

Os caprichos e as desobediências da criança são os expoentes de um conflito vital entre o impulso criador e o amor pelo adulto, que a não compreende. Maria Montessori, The Secret of childhood

Outras dicas (das ideias que vou trocando com  mães, durante as conversas):
  • Ter espaços com objectos que possam atirar à vontade, para esses momentos mais (im)previsíveis;
  • Rodar mais vezes os brinquedos, para manter as crianças mais interessadas;
  • Colocar poucos brinquedos, para não gerar stress;
  • Oferecer brinquedos adequados às necessidades da faixa etária;
  • Na hora da refeição, observar qual a posição que se sente mais confortável para comer. Estar preso na cadeira pode ser um fator de irritação;
  • A natureza/o exterior/o parque é sempre uma boa solução ( a minha estratégia preferida);
  • Observar muito (outra estratégia preferida).
Atirar também é uma forma de exploração do ambiente. Daí a necessidade de criar um ambiente preparado. Tudo ajuda. 
Há também a descoberta da causa-efeito. Ao atirar a criança pode estar a explorar o som ou o efeito do objecto a cair, ou pode estar a observar as reacções das pessoas em seu redor.
Uma das manifestações infantis, a mais saliente, aquela que parece devida a um talismã mágico, que abre as portas para a expansão do carácter normal, é a atividade concentrada num trabalho e exercitando-se sobre um objeto exterior com movimentos das mãos, guiados pela inteligência. A Criança, Maria Montessori
Ideias de mães para mães. Partilhas que podem ajudar. Não há especialistas aqui. Quais são as tuas estratégias, escreve nos comentários. Grata

07/02/2018

Power Parenting



Gosto da simplicidade das coisas. Gosto de simplificar. Desconstruir permite expandir. Gosto de partilhar o que aprendi. São pequenas mudanças, mas todas juntas transformam. Converso com pessoas sobre essas mudanças. Sei que estou a acrescentar valor nas suas vidas. Sinto-me Grata a todas as pessoas que me desafiam a partilhar mais momentos inspiradores para uma mudança de perspectiva. 
Viver Montessori vai a tua casa, à tua escola, à tua empresa, ao teu espaço e tem efeitos secundários. 💜


06/02/2018

Sobre o AMOR (qual?)


O dia de S. Valentim é um bom momento para falarmos sobre o amor. Há um certo clima no ar - mais flores, mais corações, mais mensagens... 
Vou aproveitar esta ocasião simbólica para falar mais de amor, com as amigas, com as vizinhas... mas sobre uma questão em particular - a intimidade emocional e o controlo do erro.

Há uma característica muito importante nos materiais criados por M. Montessori, que é o controlo do erro. Esta característica incorporada nos materiais, liberta o adulto e a criança de uma relação de avaliação. O adulto liberta-se de ter de comentar, de corrigir, de avaliar e de julgar a criança. Esta, por sua vez, tem a resposta que precisa para atingir a sua perfeição e compreender por si própria o erro, na medida que a sua própria maturidade avança.
Nesta libertação mútua, sai um peso enorme das costas do adulto e sai o medo de errar por parte da criança. E o amor acontece. Aquele amor do respeito pelo ritmo da criança, aquele amor da observação da conquista, aquele amor pela evolução, aquele amor pela concentração, aquele amor pela relação de ambos.
A cumplicidade que se gera nesse momento, cria intimidade emocional. Estabelece-se o vínculo, a presença, a disponibilidade, a segurança, a aceitação.

Como escreve Yvonne Taborda, no seu livro Dar Voz al niño, a intimidade emocional é vital para que as  crianças nos procurem  e nos contem o que mais as preocupa, as assusta, as aborrece, as inquieta, e quais são os seus interesses e o que as apaixona. 
Criar intimidade emocional com as nossas crianças, traz mais e melhor amor.

Algo que nos pode ajudar, nesta missão de viver o amor é criar juntos.  Aqui tens uns corações muito giros e fáceis de fazer. 

Fiz um novo encaixe, para os encaixes metálicos. Acho que faltava lá um coração! Na falta de madeira ou de algo já feito, cortei a forma em espuma-eva de 5mm de espessura. Vai ser a surpresa do dia 14! 💚💛💜

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